São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Árvores da Mata Atlântica revelam diferentes respostas à poluição do ar

Pesquisa avaliou cerca de 350 árvores e identificou espécies mais resistentes ou sensíveis à contaminação em áreas urbanas de São Paulo.

Árvores da Mata Atlântica revelam diferentes respostas à poluição do ar

Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) de São Paulo avaliaram a resistência de árvores nativas da Mata Atlântica à poluição do ar. O estudo analisou a capacidade de cerca de 350 árvores da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde de São Paulo (RBCV-SP) de acumular toxinas e identificou espécies com diferentes níveis de tolerância à contaminação.

A pesquisa teve como objetivo contribuir para projetos de reflorestamento e arborização urbana. O levantamento também mostrou que as plantas podem funcionar como indicadores da qualidade do ar, porque acumulam poluentes e respondem ao conjunto de condições ambientais às quais estão expostas.

“Além disso, o biomonitoramento pode representar uma alternativa mais acessível em relação aos métodos de monitoramento físico-químico tradicionalmente utilizados pelas agências ambientais”, afirmou Ricardo Nakazato, doutor em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente pelo IPA e professor da Universidade Guarulhos (UNG).

Espécies com respostas diferentes

A coleta reuniu cerca de 350 árvores de 29 espécies em 4 parques localizados em São Paulo, Cotia e Iperó. Das 29 espécies analisadas, 6 foram classificadas como sensíveis à poluição, 17 como moderadamente resistentes, 4 como tolerantes e 2 apresentaram variação conforme o local.

Entre as árvores mais tolerantes está o guamirim-de-inverno (E. cerasiflora), também conhecido como guamirim-flor-de-cereja e pitanga-cereja. Endêmica da Mata Atlântica, a espécie tem médio porte, frutos vermelhos consumidos por pessoas, aves e outros animais, além de flores brancas que atraem abelhas e outros polinizadores.

O tanheiro (A. triplinervia), chamado também de tapiá, tamanqueiro e boleiro, demonstrou resistência à poluição. A espécie tem médio porte e frutos vermelhos consumidos por diversas aves.

A peroba-rosa (A. polyneuron) apareceu entre as espécies mais sensíveis. Considerada uma das árvores mais ameaçadas da Mata Atlântica, ela pode ultrapassar 50 metros de altura. A espécie foi bastante usada na construção civil e na fabricação de móveis.

Aplicação no reflorestamento

A RBCV-SP abrange 78 municípios do estado de São Paulo e reúne áreas urbanas, parques, reservas e áreas protegidas com fragmentos de Mata Atlântica e do Cerrado. A reserva foi declarada Reserva da Biosfera pela UNESCO em 9 de junho de 1994.

Para Marisa Domingos, ecóloga e coordenadora da pesquisa no IPA, a tolerância ao estresse oxidativo provocado por distúrbios ambientais varia entre as espécies nativas da Mata Atlântica. O estudo, segundo Ricardo Nakazato, criou um modelo que permite avaliar novas espécies no futuro, além de indicar árvores para projetos de arborização urbana e reflorestamento.

A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pelo núcleo BIOTA Síntese e pelo Plano de Desenvolvimento Institucional em Pesquisa (PDIP/IPA). O artigo foi publicado na revista “Restoration Ecology”.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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