São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Planos econômicos de seis presidenciáveis priorizam ajuste, investimentos e menos impostos

Responsabilidade fiscal aparece nos programas, mas especialistas apontam falta de detalhes sobre custos e formas de execução.

Planos econômicos de seis presidenciáveis priorizam ajuste, investimentos e menos impostos

A economia é tratada como eixo central nos planos de governo dos seis candidatos à Presidência mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto. Responsabilidade fiscal, atração de investimentos e redução de impostos aparecem em diferentes propostas, mas especialistas ouvidos na análise apontam que vários programas não detalham como as medidas seriam executadas.

Pesquisa BTG/Nexus divulgada em 31 de agosto indica que 53% dos brasileiros avaliam a economia como ruim ou péssima. A percepção negativa pode influenciar a eleição, apesar dos resultados positivos mencionados em indicadores como PIB, inflação e desemprego.

Luiz Inácio Lula da Silva

O plano de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a continuidade de políticas de estímulo ao crescimento, valorização do trabalho e aumento do salário mínimo. O documento também propõe o fim da escala 6×1, a redução da jornada para 40 horas sem corte salarial, regras mais rígidas contra a pejotização e medidas de apoio a autônomos e pequenos empreendedores.

Entre as propostas estão a simplificação do ambiente de negócios, a elevação da taxa de investimento, o controle da inflação e a criação de condições para reduzir juros. O programa ainda prevê políticas para minerais críticos e terras raras, produção local em cadeias estratégicas e expansão da infraestrutura de inteligência artificial, com data centers e serviços de nuvem.

A questão fiscal ocupa espaço menor no plano. Para Rafael Ribeiro, professor da UFMG e pesquisador do Made-USP, o documento combina a defesa do legado de Lula com propostas de inovação e integração produtiva. Mauro Rochlin, coordenador acadêmico da FGV, criticou a ausência de informações sobre o impacto fiscal da valorização do salário mínimo e do aumento dos investimentos.

Flávio Bolsonaro

O programa de Flávio Bolsonaro (PL) combina promessa de equilíbrio fiscal, cortes de impostos, privatizações e investimentos em infraestrutura. A principal cifra apresentada é de R$ 900 bilhões em quatro anos, destinados a rodovias, hidrovias, portos, aeroportos e ferrovias.

O candidato também propõe substituir o arcabouço fiscal aprovado em 2023 por uma nova regra, promover um “revogaço” regulatório, apoiar a produção nacional de fertilizantes e retomar o Programa Nacional de Desestatização. Há ainda contratos específicos para jovens de 18 a 24 anos em busca do primeiro emprego e para pessoas com 50 anos ou mais.

Ribeiro observou que o plano não esclarece se os investimentos seriam públicos, privados ou uma combinação dos dois. Rochlin afirmou que o programa não explica como conciliaria a redução de impostos e o aumento de gastos com o ajuste fiscal.

Augusto Cury

Augusto Cury (Avante) concentra seu programa no empreendedorismo e na agricultura. O plano prevê a busca pelo deficit zero, controle dos gastos públicos e reforma administrativa. Também propõe a criação do Ministério do Empreendedorismo, de 10 mil Clubes de Empreendedorismo e de uma Escola de Empreendedorismo.

Entre as medidas estão ainda o Banco do Empreendedor, o Fundo Nacional do Empreendedor e o fortalecimento do Sebrae como centro de formação e acompanhamento. Na agricultura, o candidato defende crédito, assistência técnica, irrigação, cooperativismo e acesso a mercados para produtores familiares. O documento também fala em reindustrialização por meio de agroindústrias, usinas de etanol de milho e centros de proteína animal.

Ribeiro avaliou que o plano dá peso maior à iniciativa individual e não detalha fatores estruturais e políticas coletivas. Rochlin afirmou que a promessa de responsabilidade fiscal não vem acompanhada da explicação sobre como ela seria alcançada.

Renan Santos

Renan Santos (Missão) organiza suas propostas em quatro áreas: justiça tributária, legislação trabalhista, regulação financeira e governança. A reforma do funcionalismo público é apresentada como principal medida fiscal.

O programa prevê uma PEC do Equilíbrio Fiscal, com desindexação de benefícios do salário mínimo, mudanças nos pisos de saúde e educação, revisão do abono salarial e redução de renúncias fiscais. Também propõe o fim dos supersalários, alterações nas emendas parlamentares, uma nova lei de finanças públicas e menor participação do Estado na economia.

Outra medida é substituir o Bolsa Família por um programa de inserção no mercado de trabalho. O plano ainda prevê Zonas Econômicas Especiais no Nordeste. Ribeiro apontou falta de detalhamento sobre a regra de ajuste dos gastos e sobre a substituição do benefício. Rochlin avaliou que Renan Santos é quem apresenta de forma mais explícita como algumas propostas seriam aplicadas, mas destacou que parte do custo recairia sobre aposentados e usuários de serviços públicos.

Ronaldo Caiado

Ronaldo Caiado (PSD) associa o crescimento ao aumento da produtividade, dos investimentos e da participação privada. Seu programa prevê estabilizar a dívida pública em relação ao PIB, recuperar superávits primários, reduzir juros e fazer as despesas obrigatórias crescerem abaixo do PIB nominal.

O candidato também propõe rever subsídios e benefícios tributários, corrigir pagamentos indevidos, coordenar as políticas fiscal e monetária e respeitar a autonomia do Banco Central. A Estratégia Brasil 2040 teria metas de produtividade e investimento. O plano inclui ainda reindustrialização em áreas como energia limpa, agro, minerais, saúde, defesa, digitalização e bioeconomia.

Ribeiro afirmou que não estão claras a viabilidade política e o impacto fiscal de algumas medidas. Rochlin observou que o programa fala em reduzir subsídios e despesas obrigatórias, mas não especifica quais ações seriam adotadas. O documento define superavit primário como a situação em que as receitas superam as despesas públicas antes do pagamento de juros.

Romeu Zema

Romeu Zema (Novo) defende a redução do papel do Estado, reformas da Previdência e administrativa e privatização de todas as estatais. O plano também prevê parcerias público-privadas em serviços públicos, metas progressivas de redução de impostos e um choque fiscal para diminuir a relação entre dívida e PIB.

Entre as propostas estão a redução gradual do crédito direcionado, a reforma do IRPJ, a simplificação de impostos para empresas e a revisão de marcos regulatórios. Zema ainda defende investimentos privados em inteligência artificial e mineração, principalmente de terras raras, além de um regime alternativo à CLT com pagamentos por dia, semana ou quinzena.

Ribeiro classificou o programa como o de caráter mais liberal entre os analisados e disse que ele parte da ideia de que a redução da presença estatal resolveria problemas econômicos. Rochlin apontou uma possível tensão entre a promessa de reduzir impostos e a busca por superavit primário. Ambos destacaram a reforma da Previdência, mas observaram que o mecanismo de reajuste automático da idade mínima não foi detalhado.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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