São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Falhas na atenção primária ampliam o tempo até o diagnóstico de autismo

Revisão liderada pelo Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe aponta entraves no rastreio, nos encaminhamentos e na inclusão de grupos vulneráveis.

Falhas na atenção primária ampliam o tempo até o diagnóstico de autismo

Uma revisão de estudos liderada pelo Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe identificou que a confirmação clínica do Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode demorar até 49 meses em serviços de nível terciário no Brasil. O levantamento relaciona a espera a falhas na investigação das preocupações das famílias, no acompanhamento do desenvolvimento e no encaminhamento para especialistas.

A pesquisa descreve uma sequência de obstáculos: sinais percebidos pelos cuidadores nem sempre levam a uma avaliação estruturada; oportunidades de rastreio deixam de ser aproveitadas; os encaminhamentos podem ocorrer tarde; e, depois disso, as famílias ainda enfrentam filas para chegar aos especialistas. Com isso, a atenção primária tem participação limitada na identificação inicial, enquanto o atendimento permanece dependente de neurologistas e psiquiatras de serviços terciários.

Mara L. Cordeiro, autora e coordenadora do estudo, afirmou que “quanto mais cedo identificamos as necessidades dessa criança, mais cedo ela pode ter acesso às intervenções”. Segundo os pesquisadores, o atraso pode dificultar o acesso a intervenções e apoios em uma fase decisiva do desenvolvimento infantil.

Relato dos cuidadores

A revisão aponta que a percepção dos familiares deve iniciar a investigação clínica. A frase de que “cada criança tem seu tempo” pode se referir a variações esperadas do desenvolvimento, mas, na avaliação de Bianca Sallum, uma das autoras, não deve interromper a apuração quando existem preocupações dos cuidadores.

Os autores atribuem as dificuldades a problemas do sistema, e não individualmente aos profissionais de postos de saúde ou de consultas pediátricas. Entre os pontos citados estão a capacitação insuficiente para reconhecer sinais precoces, a falta de vigilância estruturada e a inexistência de fluxos claros de encaminhamento.

Lacunas nos dados

A revisão também encontrou limitações na produção científica brasileira. Algumas pesquisas analisadas tinham amostras formadas por até 97% de meninos, o que restringe a compreensão sobre possíveis diferenças na trajetória diagnóstica de meninas com TEA.

Há ainda poucas informações sobre raça e sobre pessoas que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente fora do eixo Sul-Sudeste. Para os pesquisadores, essa ausência impede medir adequadamente se crianças negras, indígenas ou de grupos socialmente vulneráveis enfrentam barreiras adicionais até o diagnóstico.

Entre as medidas indicadas estão o fortalecimento da atenção primária, a capacitação das equipes e o uso de ferramentas estruturadas para acompanhar o desenvolvimento e fazer o rastreio em consultas pediátricas. O estudo também defende uma rede preparada para avaliar os casos identificados e encaminhá-los com agilidade.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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