São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Brasil

Deodoro venceu eleição indireta sob pressão militar em 1891

Primeiro presidente do Brasil, Marechal Deodoro da Fonseca foi escolhido pelo Congresso Constituinte, com Floriano Peixoto na vice-presidência.

Deodoro venceu eleição indireta sob pressão militar em 1891
Foto: (Pereira Neto (criador da revista Dom Quixote em 1895)/Wikimedia Commons)

A primeira Presidência da República foi definida em uma votação marcada pela pressão de militares sobre parlamentares. Em fevereiro de 1891, o Congresso Constituinte escolheu Marechal Manuel Deodoro da Fonseca para comandar o país, enquanto Floriano Vieira Peixoto foi eleito vice-presidente.

A Constituição de 1891 previa eleições diretas, mas uma decisão específica determinou que a escolha inicial fosse feita de forma indireta. Senadores e deputados que integravam a Assembleia Constituinte participaram da votação. Presidente e vice-presidente eram escolhidos separadamente, e um mesmo candidato poderia concorrer aos dois cargos.

Durante a sessão, Prudente José de Morais e Barros chegou a ter a maioria a seu favor. Os militares, porém, ameaçaram os parlamentares e os forçaram a votar em Deodoro. Ao final da apuração, o parlamentar Antônio Eusébio anunciou: “Está eleito Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil o sr. Manuel Deodoro da Fonseca”.

Os candidatos e as regras do voto

Cinco nomes disputaram a Presidência: Deodoro da Fonseca, proclamador da República; Prudente de Morais, senador e advogado que fazia oposição a Deodoro; Floriano Peixoto, que também havia participado da Proclamação da República; Joaquim Saldanha Marinho, advogado e sociólogo republicano; e José Higino Duarte Pereira, advogado, historiador e escritor.

A Constituição permitia o voto de homens maiores de 21 anos, sem exigência de renda. Ficavam de fora mendigos, analfabetos, militares de patente baixa e religiosos que faziam voto de obediência. As mulheres não eram citadas nas regras eleitorais.

Da Proclamação à Constituição

A escolha ocorreu depois da Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. Deodoro liderou as tropas do Exército que depuseram Dom Pedro II e o gabinete de ministros. Em seguida, um Governo Provisório comandado por ele assumiu o país.

Nesse período, foi criada a “Comissão dos cinco”, responsável por elaborar o projeto da primeira Constituição Republicana do Brasil. Havia divergências entre republicanos liberais-democráticos, que defendiam uma República federativa e presidencial com separação de poderes, e positivistas apoiados principalmente pelos militares. Os liberais venceram a disputa, com nomes como Campos Sales, Ruy Barbosa e Prudente de Morais.

Promulgada em 1891, a Constituição teve inspiração nos modelos dos Estados Unidos, da Argentina e da Suíça. O texto encerrou o Poder Moderador e estabeleceu a tripartição de poderes.

Renúncia e sucessão

O Governo Provisório de Deodoro foi associado a uma grande crise econômica, enquanto a opinião pública não era favorável ao militar. Depois de assumir a Presidência, seu governo foi marcado por instabilidade política, crise econômica e autoritarismo.

Em 3 de novembro de 1891, diante de pressões políticas e da oposição, Deodoro decretou o fechamento do Congresso Nacional e instaurou o estado de sítio. A medida provocou reação popular e política e levou o presidente a renunciar. Entre a posse e a renúncia, passaram-se 9 meses.

Floriano Peixoto assumiu o cargo, concluiu o mandato e ficou conhecido como “consolidador da República” e “Marechal de ferro”, principalmente pela repressão a revoltas ocorridas durante seu governo.

Em 1894, Prudente de Moraes foi eleito presidente diretamente. Ele se tornou o primeiro presidente civil e escolhido por voto direto do Brasil.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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