Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno das eleições presidenciais à frente de Lula, com 47,06% dos votos, contra 45,12% do adversário. A diferença de dois pontos foi tratada como uma surpresa por análises publicadas na França e como sinal de que o bolsonarismo continua forte no Brasil.
Em sua primeira candidatura à Presidência, Flávio Bolsonaro ficou perto de vencer a disputa já no primeiro turno. As pesquisas indicavam uma leve vantagem para Lula até a véspera da votação, o que levou analistas a apontarem que os institutos, assim como em 2018, subestimaram a força da direita.
A avaliação é de que o resultado revela a permanência da polarização no país. Também foi destacada a possibilidade de uma onda à direita nas eleições legislativas, que não teria sido prevista pelas pesquisas de opinião.
Disputa pelo segundo turno
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. As análises consideram Flávio Bolsonaro favorito e apontam dificuldades para Lula encontrar votos suficientes entre os eleitores dos demais candidatos, todos com menos de 3% dos votos. A avaliação é de que parte desse eleitorado tende majoritariamente à direita.
Flávio Bolsonaro também superou os percentuais obtidos por Jair Bolsonaro em 2018 e 2022: 46% e 43%, respectivamente. Uma das interpretações apresentadas é que o candidato conseguiu convencer parte do eleitorado de que representa uma versão mais moderada do bolsonarismo.
O cientista político Creomar de Souza, da Fundação Dom Cabral, avaliou que a campanha de Flávio Bolsonaro foi quase impecável nos 30 dias anteriores à votação. Segundo ele, a estratégia se concentrou em temas concretos, como o custo de vida e as dificuldades enfrentadas pelas famílias.
As análises também associam o resultado brasileiro a vitórias de forças conservadoras em países da região, como Argentina, Colômbia e Peru, incentivadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para uma das avaliações, Lula pagou o preço do descontentamento dos eleitores e do desgaste do Partido dos Trabalhadores.







