A CPI da Covid pediu o indiciamento de pessoas apontadas como responsáveis por condutas relacionadas à resposta do governo à pandemia. Entre os 81 nomes incluídos no relatório final, 13 são candidatos nas eleições de 2026, conforme levantamento citado no texto.
Flávio Bolsonaro (PL) concorre à Presidência da República. Outros cinco disputam vagas no Senado: Wilson Lima (União-AM), Marcelo Queiroga (PL-PB), Carlos Jordy (PL-RJ), Bia Kicis (PL-DF) e Carlos Bolsonaro (PL-SC).
Também concorrem à Câmara dos Deputados Eduardo Pazuello (PL-RJ), Nise Yamaguchi (PL-SP), Osmar Terra (PL-RS), Onyx Lorenzoni (PP-RS) e Ricardo Barros (PP-PR). Mayra Pinheiro (PL-CE) e Marcellus Campêlo (União-AM) tentam vagas em assembleias estaduais.
Atuação durante a pandemia
Pazuello comandou o Ministério da Saúde até março de 2021, durante a crise de falta de oxigênio em Manaus e a distribuição do chamado kit covid, com cloroquina. Marcelo Queiroga o substituiu no ministério. Mayra Pinheiro permaneceu na Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, defendendo o tratamento precoce.
Wilson Lima era governador do Amazonas quando ocorreu o colapso sanitário em Manaus. Marcellus Campêlo era seu secretário de Saúde. Nise Yamaguchi, que não tinha cargo formal no governo Bolsonaro, e Osmar Terra defenderam o tratamento precoce perante o então presidente e a opinião pública.
Onyx Lorenzoni, então ministro do Trabalho e da Previdência, administrava o auxílio emergencial. Ricardo Barros, líder do governo na Câmara, foi investigado nas negociações da vacina indiana Covaxin. As doses foram negociadas por 15 dólares, enquanto o valor estimado era de pouco mais de um dólar.
Bia Kicis, Carlos Jordy e Carlos Bolsonaro não ocupavam funções executivas na resposta sanitária, mas atuaram nas redes sociais contra medidas de isolamento e vacinação. A CPI também investigou Flávio Bolsonaro por esse motivo.
Crimes apontados no relatório
Segundo o relatório, Pazuello poderia ter cometido emprego irregular de verbas públicas, prevaricação, comunicação falsa de crime, crimes contra a humanidade e epidemia com resultado de morte. O documento também recomendou o indiciamento por epidemia com resultado de morte de Mayra Pinheiro, Nise Yamaguchi, Osmar Terra, Wilson Lima e Marcelo Queiroga.
Pazuello, Onyx Lorenzoni e Mayra Pinheiro foram apontados ainda como possíveis autores de crimes contra a humanidade pelo foco no tratamento precoce e pela atuação em Manaus. A CPI afirmou que o governo federal “criou uma situação de risco não permitido, expôs vidas a perigo concreto e não tomou medidas eficazes para minimizar o resultado, podendo fazê-lo”.
O relatório citou pesquisas da Universidade de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas, do Instituto Butantan e da London School segundo as quais ao menos 127 mil mortes poderiam ter sido evitadas apenas em 2021 se as vacinas tivessem sido adquiridas antes. O Brasil terminou a pandemia com mais de 700 mil mortos.
Flávio Bolsonaro foi acusado de incitar a população a se aglomerar, não usar máscara e não se vacinar. A CPI também apontou publicações de Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Osmar Terra, Onyx Lorenzoni, Ricardo Barros, Carlos Jordy e Bia Kicis com ataques ao uso de máscaras, ao distanciamento social e às vacinas.
Mayra Pinheiro, Marcellus Campêlo, Wilson Lima, Marcelo Queiroga e Pazuello tiveram indiciamento sugerido por prevaricação. Ricardo Barros foi relacionado a suspeitas de formação de organização criminosa e improbidade administrativa no caso Covaxin.
Investigações e resposta
A Procuradoria-Geral da República pediu o arquivamento das denúncias. Em setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal determinou a abertura de inquéritos policiais para investigar parte dos indiciados. Mayra Pinheiro, Marcellus Campêlo, Pazuello, Nise Yamaguchi, Marcelo Queiroga e Wilson Lima não foram incluídos nesses inquéritos, conforme o texto.
Todos os candidatos foram procurados para responder às acusações. Apenas Ricardo Barros respondeu. Ele declarou ter “absoluta tranquilidade” e afirmou que a Procuradoria-Geral da República concluiu não haver indícios mínimos de sua participação em crime e pediu o arquivamento da apuração.
O texto afirma que não haverá tempo hábil para que os candidatos sejam julgados antes das eleições. A votação ocorrerá em 4 de outubro deste ano.








