São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Brasil

Jovem do Acre transforma observação de aves em trabalho na Serra do Divisor

Izaias Gomes da Silva começou a observar aves em 2024 e passou a conduzir visitantes por áreas de Mâncio Lima e da Serra do Divisor.

Jovem do Acre transforma observação de aves em trabalho na Serra do Divisor
Foto: Arquivo/Marcus Kaschner

Aos 23 anos, Izaias Gomes da Silva transformou o interesse por aves em uma atividade de condução de visitantes na região de Mâncio Lima, no interior do Acre. O trabalho inclui áreas urbanas do município e a Serra do Divisor, onde ele apresenta espécies e aspectos da biodiversidade amazônica.

Nascido em Cruzeiro do Sul e criado em Mâncio Lima, Izaias passou parte da infância próximo à Serra do Divisor. O primeiro contato com a observação de aves ocorreu somente em 2024, durante uma oficina de observação e interpretação ambiental realizada em uma comunidade. “Caí de paraquedas e não conhecia nada sobre o assunto, nunca tinha ouvido falar, na verdade”, contou.

A mudança aconteceu durante uma atividade de campo, em 3 de junho daquele ano, quando acompanhou o biólogo e ornitólogo Ricardo Plácido. A partir da experiência, passou a prestar mais atenção aos sons, às cores e aos comportamentos das aves na floresta.

Entre as espécies que marcaram o início da trajetória estão o surucuá-pavão (Pharomachrus pavoninus) e o capitão-de-bigode-limão (Eubucco richardsoni). Nos meses seguintes, Izaias continuou fazendo saídas, muitas vezes sozinho, e usou um aplicativo de celular para auxiliar na identificação das espécies.

Da observação à condução de visitantes

Em junho de 2025, ele recebeu kits para ajudar nas observações, com apoio de Ricardo Plácido. Depois de aproximadamente um ano de experiência, começou a conduzir outras pessoas pelas áreas onde havia aprendido a identificar e observar aves. A primeira condução ocorreu em setembro do ano passado.

“Em 2026 a procura aumentou. Conduzo regularmente para a Serra do Divisor e na área urbana de Mâncio Lima até o momento”, explicou.

A procura também cresceu após a divulgação de expedições e vídeos por canais no YouTube. Izaias participou ainda de uma expedição ao ponto extremo Oeste do Brasil e à região do Marco 76, na fronteira com o Peru, integrando uma equipe com outros dois condutores.

Em 2025, participou da Feira Internacional de Turismo (Festuris), em Gramado, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, junto com a Secretaria de Turismo do Acre, apresentou a Serra do Divisor como atrativo turístico. Ele também conduziu uma equipe em uma produção que mostrou a observação de aves como uma das atividades turísticas do parque.

Registros de espécies no Acre

As observações contribuíram para ampliar os registros de aves no estado. Izaias fez a primeira fotografia para a plataforma WikiAves da choca-preta (Neoctantes niger) no Acre. Também registrou as primeiras fotografias, para o estado na plataforma, do socoí-vermelho (Ixobrychus exilis), ajudando a confirmar a presença da espécie no território acreano.

Segundo Izaias, a observação de aves tem baixo impacto e pode contribuir para levantamentos sobre a avifauna, novas espécies e movimentos migratórios. A atividade também pode aproximar as pessoas da preservação dos ambientes onde os animais vivem.

Ele estima já ter tido contato com mais de 350 espécies encontradas na região onde trabalha. A condução de grupos, afirma, exige atenção às aves, às trilhas e às características de cada visitante. Alguns participantes priorizam fotografias; outros preferem registrar sons ou observar com binóculos.

Para o guia, é preciso adaptar o ritmo a cada grupo. Apesar dos desafios, a atividade também se tornou uma forma de bem-estar. “Mas, além disso, é uma terapia poder observar as aves”, comentou.

A intenção de Izaias é continuar apresentando a biodiversidade amazônica e incentivar uma relação de respeito com a fauna. Para ele, a observação deve ocorrer no habitat natural das aves, com ética e respeito, além de contribuir para a conservação das espécies e dos ambientes onde elas vivem.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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