Dezenas de milhares de estudantes do ensino médio participaram nesta terça-feira (6) da terceira jornada nacional de protestos na França. As manifestações foram convocadas pela União Sindical dos Estudantes Secundaristas e pela União Estudantil, com apoio de universitários, sindicatos de professores e agricultores.
O Ministério da Educação informou que 891 de 3.700 escolas de ensino médio tiveram as aulas suspensas total ou parcialmente. Durante a manhã, cerca de 86 mil pessoas participaram de atos em várias regiões, de acordo com o Ministério do Interior. Uma marcha foi prevista para Paris, com 2 mil policiais destacados.
Os protestos ocorreram em cidades como Marselha, Nantes e Toulouse. Em Marselha, a estudante Selma, de 15 anos, afirmou: “temo pelo meu futuro e quero reivindicar meus direitos”. Em Nantes, manifestantes carregaram uma faixa com a frase “Escolas sem dinheiro, país sem futuro”.
Entre as reivindicações estão a contratação de professores e profissionais de saúde, melhorias na estrutura das escolas, redução do número de alunos por turma, mudanças no sistema de seleção universitária e mais igualdade de oportunidades. Os estudantes também cobram que o governo ouça suas demandas e relatam insegurança em relação ao futuro.
Nenhum incidente grave havia sido registrado até o momento, mas confrontos com as forças de segurança e danos materiais nos últimos dias provocaram preocupação com novos tumultos. Desde o início da mobilização, em 29 de setembro, cerca de 190 estudantes ficaram feridos, a maioria em acidentes, segundo o Ministério da Educação. O governo também contabilizou 24 escolas incendiadas ou vandalizadas e 78 integrantes das equipes docente e administrativa feridos.
Na segunda-feira (5), um estudante de 15 anos de Lens teve uma mão arrancada por uma granada lançada por um policial. O caso está sendo investigado. Em Metz, as autoridades abriram uma investigação após a circulação de um vídeo que mostra um policial imobilizando uma menina de 14 anos no chão e assediando-a sexualmente.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu enviou, na noite de domingo (4), uma carta aos integrantes do governo para orientar a retomada das aulas “em todos os locais onde for possível”. O documento prevê cinco frentes de trabalho baseadas nas preocupações apresentadas pelos Conselhos Acadêmicos da Vida Estudantil. O governo informou que as primeiras decisões concretas deverão ser anunciadas antes do fim do mês.







