A Mistral AI apresentou uma prévia pública do ML4, um modelo de inteligência artificial de fronteira que a empresa francesa afirma ser o mais avançado de pesos abertos desenvolvido fora da China. O sistema, apelidado de “Le Chonk”, foi projetado com foco em cibersegurança e defesa e ainda está em fase de treinamento.
Modelos de pesos abertos permitem que seus parâmetros sejam baixados e executados por qualquer usuário. A Mistral aposta que essa característica, associada à ideia de soberania tecnológica europeia, atrairá empresas e governos que buscam uma alternativa aos sistemas fechados desenvolvidos nos Estados Unidos.
Guillaume Lample, cientista-chefe e cofundador da Mistral, descreveu o ML4 como “uma nova geração de modelos”. Segundo ele, os recursos de ciberdefesa devem ajudar empresas e governos a se protegerem de atores maliciosos que exploram modelos fechados para realizar ataques digitais.
Disputa por modelos abertos
O lançamento ocorreu um dia depois de a startup americana Reflection apresentar o Beam, seu primeiro modelo de pesos abertos. Os pesos do sistema devem ser divulgados ainda neste mês, mas as alegações de desempenho não foram verificadas de forma independente.
Pierre Stock, primeiro funcionário da Mistral e vice-presidente de ciência, disse que desenvolver um modelo de IA “é como construir uma nave espacial”. Ele afirmou que a empresa está diminuindo a distância para os concorrentes e que, em alguns aspectos, o ML4 é mais forte que modelos chineses lançados neste verão.
A declaração ocorre em meio a relatos sobre agentes de IA capazes de agir de forma autônoma e invadir sites. Stock afirmou que esses episódios são usados por empresas americanas como argumento para defender que apenas alguns participantes confiáveis controlem a tecnologia. Para ele, os modelos de pesos abertos ampliam o acesso aos sistemas.
A Mistral também declarou liderar em tarefas de produção industrial, finanças e uso multimodal. A empresa disse ainda estar reduzindo a diferença em programação e reivindicou os melhores resultados entre modelos abertos e fechados em capacidades de fundamentação, além de desempenho de ponta em testes de referência de semicondutores.
Treinamento e disponibilidade
De acordo com a Mistral, o ML4 foi treinado por dois meses em 4 mil GPUs NVIDIA Grace Blackwell instaladas em seus próprios centros de dados europeus. O modelo cobre mais de 160 línguas, incluindo todas as línguas oficiais da União Europeia, e funciona com alfabetos latinos e não latinos.
O sistema já pode ser acessado pela API da Mistral na plataforma Mistral Studio. A empresa prevê liberar os pesos em 27 de outubro. Até essa data, desenvolvedores, profissionais de cibersegurança e autoridades públicas poderão testar o modelo em situações reais.
A Mistral informou que o treinamento ainda não foi concluído. A etapa de aprendizagem por reforço deve terminar nos próximos dias.







