São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Suspeita sobre campanha de Flávio expõe regras contra doações estrangeiras

Pedido ao STF questiona possível apoio da Rockbridge Network à candidatura; legislação prevê punições para o uso de recursos estrangeiros.

Suspeita sobre campanha de Flávio expõe regras contra doações estrangeiras

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, pediu ao Supremo Tribunal Federal a investigação de um possível investimento estrangeiro na campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A notícia de fato foi apresentada na sexta-feira (11), após uma suspeita levantada por Renan Santos (Missão) sobre a atuação da Rockbridge Network, fundo cofundado pelo vice-presidente americano J.D. Vance em 2019.

A legislação eleitoral brasileira proíbe que partidos e candidatos recebam doações estrangeiras, inclusive por meio de publicidade. A restrição está prevista no artigo 24 da Lei das Eleições (nº 9.504/1997), que também veda recursos de pessoas jurídicas e de concessionárias ou permissionárias do serviço público.

Como surgiu a suspeita

A ofensiva pública contra a possível participação da Rockbridge começou em 5 de setembro. Arthur do Val (Missão) mencionou no X o empresário Tallis Gomes e pediu que ele apresentasse “Pedro da Rockbridge” para trazer dinheiro estrangeiro à campanha no Brasil.

Gomes é fundador da plataforma G4 e representante brasileiro da Rockbridge. Renan Santos afirmou que ele e o empresário Pedro Sang teriam intermediado apoio do fundo a candidaturas de direita. O candidato do Missão também disse que o primeiro alvo teria sido Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas que os esforços teriam sido direcionados a Flávio Bolsonaro.

Em entrevista em 23 de abril ao podcast Os Sócios, Gomes confirmou que fazia parte do grupo americano e disse que aconselhava pré-candidatos à Presidência em temas como inteligência artificial e energia, sem informar nomes. Em redes sociais, ele se apresenta como apoiador de Flávio.

Gomes negou atuar na arrecadação de recursos para a campanha e afirmou que conversa com vários candidatos, sem adesão formal. Depois das acusações, protocolou na Justiça do Ceará uma notícia-crime contra Renan Santos por possíveis crimes contra a honra e ameaça. “É uma cortina de fumaça porque a campanha acabou, Renan derreteu”, disse.

Atuação atribuída à Rockbridge

A Rockbridge Network é descrita como um fundo formado por doações de conservadores dos Estados Unidos. A organização financia veículos favoráveis ao Partido Republicano, campanhas de mobilização de eleitores e pesquisas eleitorais. Além de J.D. Vance, é ligada a empresários de tecnologia do Vale do Silício.

A organização teria investido US$ 75 milhões para tentar influenciar as eleições presidenciais americanas de 2024, conforme o dado citado no texto. Pedro Sang é apontado como o principal articulador do grupo no Brasil. Uma reportagem publicada no domingo (13) afirmou que ele atuava na sede do comitê de campanha de Flávio, próximo ao Parque Ibirapuera, em São Paulo.

André Marinho (Novo), candidato ao governo do Rio de Janeiro, teria apresentado Sang à Rockbridge. Marinho e Sang viajaram a Dallas, no Texas, em outubro de 2025, a convite do grupo, para analisar a abertura de um escritório no Brasil. A iniciativa não avançou, segundo Sang, por causa do momento político do país.

Marinho também elaborou um memorando sobre uma possível aliança entre Brasil e Estados Unidos para a exploração de minerais de terras raras. O documento traz na capa a expressão “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign” e repete, nas páginas, o slogan “Flávio Bolsonaro – Property Partnership”. Marinho afirmou que o texto não tinha relação com o candidato do PL e que não o apresentou a interlocutores americanos.

Sang disse desconhecer qualquer financiamento da Rockbridge à campanha de Flávio. A equipe do candidato não se posicionou sobre o caso.

Relação com os Estados Unidos

Flávio Bolsonaro fez acenos ao governo de Donald Trump, embora seu plano de governo não mencione os Estados Unidos. Em julho, sugeriu que as tarifas americanas de 25% sobre produtos brasileiros fossem aplicadas somente depois da eleição. Ele também defendeu a interferência americana na segurança brasileira, pediu pressão dos Estados Unidos nas eleições e associou as terras raras brasileiras a uma solução para os americanos.

Em 26 de maio, Flávio se reuniu com Donald Trump na Casa Branca. Antes disso, em abril, André Marinho disse ter encontrado J.D. Vance nos Estados Unidos para tratar da expansão do crime organizado e de facções criminosas internacionalmente.

Possíveis punições

O artigo 24 da Lei das Eleições estabelece que partidos e candidatos não podem receber, direta ou indiretamente, doações em dinheiro ou estimáveis em dinheiro de governos ou entidades estrangeiras. Para José Paulo Martins Júnior, professor da UFF, o uso de apoio internacional por um grupo poderia desequilibrar a disputa e configurar abuso do poder econômico.

A entrada de dinheiro estrangeiro também pode ser interpretada como ameaça à soberania brasileira quando governos ou entidades externas atuam em favor de um candidato.

A legislação prevê a devolução do dinheiro à fonte original ou o repasse ao Tesouro Nacional. Também estão previstas a cassação do registro do partido, a cassação do diploma do candidato eleito e a inelegibilidade do candidato, conforme a Lei das Eleições, a Lei dos Partidos Políticos e a Lei das Inelegibilidades.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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