O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) recebeu, nesta quinta-feira (10), a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, e outros acusados de participação em um esquema ligado ao Comando Vermelho. A investigação faz parte da Operação Zargun e envolve corrupção, tráfico de drogas, contrabando e outros crimes.
A decisão da 1ª Seção do TRF2 foi unânime, com seis votos. Tornaram-se réus Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio; Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, o Dudu; o ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena; e o delegado da Polícia Federal Gustavo Stteel, além de TH Joias.
Acusações do MPF
O MPF afirmou que uma organização ligada ao Comando Vermelho se infiltrou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e em secretarias estaduais. Segundo a denúncia, o grupo atuava no comércio ilegal de armas levadas do Paraguai para comunidades do Rio de Janeiro, além de negociar drogas, contrabandear equipamentos antidrone e corromper agentes públicos.
Os equipamentos eram bloqueadores de sinal de drone, cujo uso é proibido para pessoas físicas e empresas. A importação clandestina teria como objetivo dificultar o monitoramento das forças de segurança durante operações policiais.
De acordo com o MPF, assessores ligados a TH Joias negociavam munições de uso restrito, inclusive materiais recolhidos em apreensões policiais, intermediavam a venda de drogas e usavam o gabinete para acomodar indicações da facção. Carracena é acusado de vazar dados policiais em troca de vantagens indevidas. Stteel teria repassado informações privilegiadas e tentado intervir em favor dos líderes do grupo para obter cargos públicos para sua companheira, entre outras contrapartidas.
O TRF2 manteve a prisão preventiva dos acusados, determinou a transferência do ex-deputado para uma penitenciária federal e autorizou o compartilhamento de provas e o uso de bens apreendidos. O MPF também pediu a manutenção das medidas cautelares pessoais e patrimoniais.
O processo foi desmembrado. O núcleo central será julgado pelo TRF2, enquanto nove acusados que não fazem parte desse núcleo, entre policiais militares, assessores e intermediários, responderão na primeira instância da Justiça Federal. A ação tramita sob o nº 5014431-82.2025.4.02.0000.








