A primeira Cimeira de Defesa e Espaço reuniu, na quarta-feira, o secretário-geral da NATO, ministros, autoridades e líderes da indústria para discutir a segurança europeia. O encontro ocorreu enquanto governos avaliam o aumento dos gastos militares, as capacidades de defesa e a produção do setor diante da guerra na Ucrânia e de ataques híbridos contra aliados europeus.
O primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, criticou a estratégia da União Europeia de apoio à Ucrânia e defendeu mais esforço diplomático com o Kremlin. Para ele, a guerra expôs dificuldades na avaliação das ameaças, na definição de objetivos políticos e na formulação de uma estratégia militar.
Radev também alertou para o risco de um ataque nuclear contra a Europa. A Rússia tem cerca de 4 400 ogivas nucleares armazenadas, das quais 1 796 estão estrategicamente posicionadas. O líder búlgaro afirmou que a existência dessas armas precisa ser considerada nos cálculos de segurança do continente.
NATO destaca defesa aérea
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, disse que a aliança é defensiva e afirmou que não há ameaça imediata ao território dos países-membros. Ele também declarou que a organização está preparada para responder a qualquer ataque e pediu que os aliados mantenham o apoio militar à Ucrânia.
Rutte citou ataques híbridos, como um incêndio contra uma empresa de robótica de defesa na Estónia e uma tentativa de ataque com drone no aeroporto de Leipzig, na Alemanha. Segundo ele, essas ações buscam desviar a atenção do impasse no campo de batalha, dividir os países ocidentais e reduzir o apoio a Kiev.
O secretário-geral apontou a defesa aérea como uma das principais vulnerabilidades da Ucrânia. A Rússia tem realizado ataques aéreos prolongados contra cidades ucranianas, pressionando as reservas de interceptadores. Rutte pediu aos aliados o fornecimento de interceptadores Patriot.
Bélgica pede mais produção
O ministro da Defesa da Bélgica, Theo Francken, afirmou que a Europa enfrenta um período de aumento da interferência russa e defendeu a ampliação da defesa aérea, das reservas militares e da produção industrial. Ele disse que a experiência da Ucrânia deve ser usada para acompanhar a rápida evolução tecnológica no campo de batalha.
Francken também reconheceu o baixo investimento histórico da Bélgica na defesa. O país destinava 1% do PIB ao setor, percentual que, segundo o ministro, duplicou desde então. Ele afirmou que não é possível recuperar em 18 meses o que foi deixado de lado durante 40 anos.
Estados Unidos defendem integração
Matthew Whitaker, embaixador dos Estados Unidos junto à NATO, afirmou que Washington continua comprometido com a segurança europeia e pediu que os aliados avancem em sua participação na defesa comum.
Já Andrew Puzder, embaixador dos Estados Unidos junto à União Europeia, criticou a preferência por produtos “Made in Europe” nas compras públicas do bloco, inclusive em contratos de defesa. Ele defendeu uma abordagem “Made in NATO”, com maior acesso de empresas norte-americanas aos contratos europeus.
Puzder argumentou que decisões sobre equipamentos militares devem considerar capacidade e disponibilidade, e não apenas a origem geográfica dos produtos. Para ele, os países da aliança são mais fortes quando atuam em conjunto.







