A Itália mais que dobrou, em quinze anos, o orçamento destinado ao espaço civil e passou a gastar, em proporção ao PIB, mais do que qualquer outro país europeu, exceto Luxemburgo. O avanço levou o país a superar a França nesse indicador, segundo o relatório “Space Economy at a Glance”, da OCDE.
O documento descreve a economia espacial italiana como um ecossistema industrial e digital estratégico, com produção estimada em 8 milhões de euros. O Japão também duplicou seu orçamento e se tornou o país da OCDE que mais investe no setor em relação ao PIB. Luxemburgo, por sua vez, triplicou o orçamento desde 2010.
Em valores absolutos, França e Alemanha lideram o investimento espacial civil europeu. Em 2025, os dois países destinarão até 2,4 bilhões de euros e 2,5 bilhões de euros, respectivamente. A Itália aparece na sequência, com cerca de 2 bilhões de euros.
Os orçamentos podem financiar a fabricação e a operação de infraestruturas espaciais, o uso de dados e sinais de satélite, equipamentos de navegação, telefones via satélite, serviços de comunicação, inteligência geoespacial e pesquisa e desenvolvimento.
França e Itália também se destacam na pesquisa. Em 2024, o espaço representou 14% dos fundos civis de pesquisa e desenvolvimento de cada governo, mais do que o dobro da média da OCDE, de 6,3%.
Na área militar, a Alemanha ocupa a liderança. Berlim prevê investir 35 bilhões de euros em capacidades de defesa ligadas ao espaço até 2030. A França reservou cerca de 10,6 bilhões de euros entre 2024 e 2030; em 2025, esse valor corresponderá a 25% da despesa espacial do governo francês. Nos Estados Unidos, a parcela foi de 46,3% no ano passado.
A OCDE afirma que as comparações militares são difíceis porque muitos programas são classificados ou têm uso duplo. Sobre a China, o relatório diz que as despesas são difíceis de estimar, pois as atividades civis, comerciais e militares estão integradas no sistema militar-civil do país.
O Reino Unido tinha 757 satélites em órbita em junho, o maior número da Europa, contra 104 da França, 80 da Itália e 65 da Alemanha. Em 2022, o setor espacial sustentou cerca de 18% do PIB não financeiro britânico, ante 16% em 2021. A maior parte dos satélites do país, 98%, pertence ao setor privado.
Em 2025, entidades europeias receberam cerca de 12,8% do investimento privado mundial em espaço, enquanto os Estados Unidos concentraram 67%. No ano passado, foram tentados 181 lançamentos orbitais de satélites pelos Estados Unidos, 92 pela China e oito pela Europa.







