São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Europa tenta reforçar posição no espaço diante da disputa entre Estados Unidos e China

Cúpula em Paris reúne representantes de cerca de 120 países, mas enfrenta ausências e divergências sobre a autonomia espacial europeia.

Europa tenta reforçar posição no espaço diante da disputa entre Estados Unidos e China

A Europa busca preservar sua competitividade no setor aeroespacial em meio à disputa entre Estados Unidos e China. A primeira cúpula internacional sobre o tema começa nesta quarta-feira (9), em Paris, com representantes de cerca de 120 países convidados. Rússia, Irã e Coreia do Norte ficaram fora da lista.

Promovido pelo presidente francês, Emmanuel Macron, o encontro ocorre durante dois dias no Grand Palais. A ausência de empresas americanas como SpaceX e Blue Origin, além do chanceler alemão, Friedrich Merz, reduz a participação de alguns dos principais atores do setor.

A economia espacial mundial ultrapassou US$ 500 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 1,1 trilhão até 2035, segundo estudo da consultoria PwC divulgado na terça-feira (8). O crescimento é associado às comunicações via satélite, à navegação, à observação da Terra, aos serviços de lançamento e às atividades relacionadas à Lua.

Disputa por autonomia

Mathieu Luinaud, especialista da PwC, afirmou que a Europa tem profissionais e engenheiros para permanecer relevante no mercado. A consultoria Deloitte, porém, alertou para o risco de perda de espaço e defendeu encomendas públicas garantidas, além de maior coordenação dos investimentos entre os países europeus.

“O objetivo da cúpula é consolidar e afirmar o lugar da Europa, espremida entre Estados Unidos e China, que hoje são os dois grandes polos”, disse Luinaud.

O astronauta francês Thomas Pesquet, embaixador do encontro, criticou o impacto dos “sobressaltos da geopolítica” sobre um setor que, segundo ele, exige cooperação. A ausência de SpaceX, de Elon Musk, e Blue Origin, fundada por Jeff Bezos, impede que o compartilhamento de frequências seja debatido plenamente. As duas empresas desistiram de participar em meio a rumores de pressão da Casa Branca.

O afastamento dos Estados Unidos de alguns programas conjuntos também reacendeu o debate sobre a dependência europeia de Washington e sobre a participação do continente na exploração lunar. Josef Aschbacher, diretor da Agência Espacial Europeia (ESA), defende que a Europa desenvolva capacidade para voos tripulados a um “custo razoável”. A ArianeGroup informou que o foguete Ariane 6 pode ser adaptado para esse tipo de missão.

Foguetes e divergências políticas

A Europa ainda não testou um foguete reutilizável. Enquanto Donald Trump estabeleceu a meta americana de mil lançamentos por ano até 2030, o continente realiza atualmente dezenas de lançamentos e pode enfrentar escassez de lançadores até esse período, segundo o diretor da ESA.

Em agosto, a chinesa LandSpace recuperou o primeiro estágio do foguete pesado Zhuque-3. A MaiaSpace, subsidiária da ArianeGroup, prevê seu primeiro voo de teste no segundo semestre de 2027 e já garantiu cinco contratos para 12 lançamentos. Na Alemanha, a Isar Aerospace colocou um foguete em órbita a partir da Noruega, em um feito inédito para um lançador privado desenvolvido na Europa continental.

A reunião ocorre em meio a divergências entre França e Alemanha. Merz permaneceu em Berlim devido à crise aberta pela vitória da extrema direita nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt. A França defende preferência por soluções europeias, enquanto a Alemanha se mostra mais aberta aos lançadores americanos da SpaceX. Para o ministro francês responsável pelo Espaço, Philippe Baptiste, empresas privadas europeias podem ajudar a ampliar a autonomia do continente.

Satélites e defesa

As constelações de satélites ganharam importância nas operações militares por causa da necessidade de redes de comunicação seguras e permanentes. Na guerra da Ucrânia, a rede americana Starlink tornou-se referência para a comunicação entre centros de comando e controle. Em 2025, restrições ao acesso de forças russas ao sistema em determinadas operações dificultaram a manutenção das comunicações e a coordenação no terreno.

As Forças Armadas francesas usam a Starlink em exercícios e treinamentos, mas recorrem à rede segura da Eutelsat OneWeb em operações reais. A Rússia anunciou a constelação Rassvet, enquanto a China planeja lançar cerca de 13 mil satélites para atender às necessidades de seu Exército de Libertação Popular.

A Europa aposta na constelação Iris, cuja operação está prevista para 2030. O sistema terá 264 satélites em órbita baixa e outros 18 em órbita média da Terra. O projeto pretende ampliar a autonomia estratégica e a soberania europeias nas comunicações e na defesa.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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