São José dos Campos, Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Ciência

Crânios de Abidos indicam possível sacrifício de servos de faraós

Marcas de violência em crânios reforçam a hipótese de que cortesãos foram mortos para acompanhar governantes egípcios na vida após a morte.

Crânios de Abidos indicam possível sacrifício de servos de faraós
Foto: Inigoarza/Getty Images

Marcas de violência encontradas em crânios de uma necrópole egípcia reforçam a hipótese de que servos foram sacrificados para acompanhar faraós na vida após a morte. A prática parece ter ocorrido durante a Primeira Dinastia, entre 3100 a.C. e 2900 a.C., e desaparecido pouco depois.

Os sepultamentos foram identificados em Umm el-Qaab, necrópole localizada em Abidos. O local abriga as tumbas de Djer, faraó que governou por volta de 3000 a.C.; de seu sucessor, Djet; e de Meretneith, mulher que provavelmente governou o Egito.

No início do século 20, o egiptólogo Flinders Petrie escavou a área e encontrou centenas de sepultamentos simples próximos às tumbas reais. Para ele, os mortos eram pessoas que serviam ao rei, como integrantes de sua comitiva.

A concentração de tantos cortesãos nas proximidades das tumbas levou Petrie a suspeitar que eles tivessem sido sacrificados após a morte do governante. A hipótese era que continuariam a servi-lo na vida após a morte, mas ainda não havia evidências físicas que a sustentassem.

Marcas nos crânios

Mais de um século depois, a arqueóloga Roselyn Campbell, da Universidade Purdue, reexaminou 46 crânios com técnicas forenses. Ela encontrou sinais de morte violenta em 18 deles. O estudo afirma que essas pessoas foram “deliberadamente mortas por golpes na cabeça”.

Os ferimentos incluem fraturas na parte superior do crânio, uma lesão na lateral da cabeça e outra causada por golpe cortante em um dos olhos. A arma não foi identificada. Para Campbell, o instrumento mais provável seria plano, leve e feito de madeira, não de pedra.

A ausência de lesões nos demais crânios não esclarece como essas pessoas morreram. Campbell considera que algumas podem ter morrido de causas naturais, enquanto outras podem ter sido mortas por métodos que não deixam marcas no esqueleto, como a asfixia.

Para a arqueóloga, o sacrifício poderia estar ligado à crença de que os servos continuariam a atender o governante após a morte, mas também representar uma demonstração de poder. Ela afirma que alguns indivíduos podem ter se oferecido voluntariamente, enquanto outros podem ter sido escolhidos ou forçados.

O sacrifício humano parece ter terminado na Segunda Dinastia do Egito, por volta de 2730 a.C. Nesse período, sepultamentos de governantes acompanhados por cortesãos praticamente desapareceram.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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