Cerca de 2,5 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais vivem com algum tipo de demência, incluindo a doença de Alzheimer. Desse total, 83,1% dos casos não têm diagnóstico formal, segundo estimativa do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil).
A campanha Setembro Lilás 2026, realizada no Dia Mundial de Conscientização da Pessoa com Alzheimer, em 21 de setembro, usa o tema O diagnóstico importa e defende que a identificação ocorra o mais cedo possível. A detecção inicial pode ajudar a pessoa a participar das decisões sobre o tratamento, organizar questões familiares e financeiras e preservar a autonomia por mais tempo.
Sinais que merecem investigação
Esquecimentos isolados não significam necessariamente Alzheimer. O alerta aumenta quando alterações de memória se tornam frequentes e passam a afetar a rotina, o trabalho, as relações ou atividades que antes eram realizadas com autonomia.
Além da perda de memória, podem ocorrer dificuldade para aprender informações recentes, problemas para encontrar palavras ou acompanhar conversas, mudanças de comportamento, desorientação e dificuldade para executar tarefas habituais. A avaliação deve considerar a mudança em relação ao funcionamento anterior da pessoa e o impacto no dia a dia.
As alterações cognitivas podem ter diferentes causas, algumas tratáveis. Para Christiano Barbosa, presidente da Associação de Parentes e Amigos de Pessoas com Alzheimer, Doenças Similares e Idosos Dependentes (APAZ-RJ) e integrante da diretoria da Federação Brasileira das Associações de Alzheimer (Febraz), a crença de que a perda de memória é parte natural do envelhecimento atrasa a busca por atendimento.
O diagnóstico nos estágios iniciais permite avaliar tratamentos farmacológicos e não farmacológicos, estratégias de reabilitação e novas possibilidades terapêuticas. Terapias modificadoras da doença estão sendo desenvolvidas para grupos específicos em fases iniciais. Avanços em biomarcadores, inclusive com exames de sangue, também podem tornar a investigação mais precisa e acessível.
Acesso ao diagnóstico e suporte aos cuidadores
O Brasil tem um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas atualizado para a Doença de Alzheimer. O Ministério da Saúde publicou ainda material para apoiar profissionais da Atenção Primária na identificação de alterações cognitivas e na redução do subdiagnóstico.
Barbosa defende a capacitação de profissionais das unidades básicas de saúde, fluxos mais claros de encaminhamento e redução das diferenças regionais no acesso a especialistas. Para ele, o avanço científico precisa ser acompanhado pela ampliação do acesso ao sistema de saúde.
A atenção também deve incluir os cuidadores. Em muitos casos, familiares, especialmente mulheres, ficam responsáveis por medicamentos, consultas e cuidados ao longo do dia. Essa sobrecarga pode afetar a saúde física e emocional e a qualidade de vida.
O Dia Mundial e Nacional de Combate ao Estresse, celebrado em 23 de setembro, reforça a necessidade de olhar para essa situação. A Organização Mundial da Saúde recomenda apoio psicológico e psicossocial aos cuidadores de pessoas com demência, além de serviços que permitam descanso e revezamento.
Barbosa afirma que o cuidado deve envolver tanto a pessoa com Alzheimer quanto seus familiares, com informação, apoio e acesso aos serviços de saúde.








