São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Saúde

Teste sanguíneo para Alzheimer chega à rede privada com preços de até R$ 5.000

Exame complementa a avaliação clínica e é indicado para pessoas com declínio cognitivo ou suspeita da doença, não para assintomáticos.

Teste sanguíneo para Alzheimer chega à rede privada com preços de até R$ 5.000
Foto: Reuters

Exames de sangue que identificam biomarcadores associados ao Alzheimer já são oferecidos no Brasil, mas continuam restritos à rede particular. Os preços variam de R$ 1.800 a R$ 5.000, conforme o laboratório e a metodologia. O procedimento não é oferecido pelo SUS nem tem cobertura dos planos de saúde.

A indicação é para pessoas acima de 55 anos que já passaram por avaliação médica e apresentam declínio cognitivo perceptível ou suspeita da doença. O exame não deve ser usado para rastrear pessoas sem sintomas.

O que o exame identifica

A Anvisa informa que tem produtos regularizados para detectar diferentes biomarcadores relacionados ao Alzheimer. A lista da agência reúne 30 testes, com opções que analisam sangue ou plasma e outras voltadas ao líquor, líquido que envolve o cérebro.

Entre os principais biomarcadores estão a beta-amiloide e formas da proteína tau, como a p-tau217. Essas alterações se relacionam ao acúmulo de placas de beta-amiloide e de proteínas tau anormais no cérebro.

Leonardo Oliva, presidente da SBGG, afirma que a p-tau217 é atualmente o marcador sanguíneo mais preciso para confirmar o Alzheimer em pacientes com sintomas. No Richet, laboratório da Rede D'Or, o teste custa R$ 1.800. Na Rede Dasa, os valores dos diferentes exames ficam entre R$ 841 e R$ 4.500.

O Fleury oferece o Precivity AD2, que combina marcadores de beta-amiloide e proteína tau. A coleta ocorre no Brasil, mas a análise é feita nos Estados Unidos. O laboratório informa preço de cerca de R$ 4.400.

Exame é complementar

O diagnóstico continua sendo clínico, com consulta, histórico do paciente e testes cognitivos. O sangue pode ajudar a verificar se as alterações observadas têm relação com o Alzheimer, mas não substitui essa avaliação.

“Pacientes assintomáticos não devem fazer esse exame”, diz Oliva. Segundo ele, pessoas com histórico familiar, mas sem sintomas, não têm indicação para realizar o teste antes da consulta.

Eduardo Zimmer, professor adjunto da UFRGS, afirma que a avaliação clínica identifica corretamente a doença em cerca de 70% a 75% dos casos. Com a combinação de biomarcadores, o índice pode chegar a 91%.

Antes dos testes sanguíneos, a investigação dependia principalmente da análise do líquor ou de exames de imagem, como o PET amiloide. Nenhum dos dois é oferecido pelo SUS ou coberto pelos planos de saúde. O líquor custa de R$ 2.000 a R$ 3.000 e exige punção lombar. Já o PET amiloide pode chegar a R$ 10 mil e R$ 12 mil.

Pesquisas e tratamentos

Um estudo publicado em julho na Jama acompanhou 2.684 idosos sem sinais de perda de memória no início da pesquisa. Durante um período mediano de 5,4 anos, 478 participantes evoluíram para algum grau de comprometimento cognitivo. Entre os que tinham níveis altos de p-tau217, o risco em cinco anos foi de 24%; nos níveis muito altos, chegou a 38%.

Os pesquisadores ressaltaram que os dados vieram de grupos selecionados de pesquisa e ainda precisam ser validados em populações mais representativas antes de orientar decisões clínicas individuais em pessoas sem sintomas.

Fábio Henrique Porto, presidente da Abraz em São Paulo, diz que o exame pode favorecer a identificação da doença em fase mais inicial e facilitar o acesso ao diagnóstico fora dos grandes centros. Para Oliva, os testes também podem ampliar o acesso a tratamentos recentes destinados às fases iniciais.

Os medicamentos lecanemabe (Leqembi) e donanemabe (Kisunla), aprovados pela Anvisa, são indicados para pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência leve. Eles não estão disponíveis no SUS nem são cobertos pelos planos de saúde.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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