São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Saúde

Pergaminhos medievais preservam DNA de vírus que afetava ovelhas há milênios

Análise de manuscritos e dentes de ovelhas indica que a varíola ovina ameaça esses animais há mais de 3 700 anos.

Pergaminhos medievais preservam DNA de vírus que afetava ovelhas há milênios

Pesquisadores identificaram DNA do vírus da varíola ovina em pergaminhos medievais produzidos com pele de animais. A descoberta indica que a doença, que causa febre, lesões na pele e pode levar à morte, afeta ovelhas há mais de 3 700 anos.

O material genético foi extraído de documentos preservados por vários séculos. A equipe internacional, liderada por cientistas da University College Dublin, reuniu geneticistas, historiadores, virologistas, químicos de proteínas e conservadores.

Entre os manuscritos analisados estão os Evangelhos de York, com mil anos, e o “Corpus Glossary”, mantido no Corpus Christi College, em Cambridge. Também foram examinados textos medievais de diferentes partes da Grã-Bretanha e da Europa continental.

Em alguns casos, várias páginas do mesmo documento apresentaram DNA do vírus. Para os pesquisadores, isso sugere que, na produção dos pergaminhos, foram usadas peles de animais infectados. O estudo combinou esses dados com amostras mais antigas retiradas de dentes de ovelhas da Idade do Bronze.

A varíola ovina é altamente contagiosa e pode se espalhar rapidamente por um rebanho. A doença também pode provocar perdas econômicas, associadas à redução da produção de leite, à queda da qualidade das peles e da lã e a restrições comerciais. Não há evidências de que o vírus infecte seres humanos.

“O registo de ADN antigo de agentes patogénicos mudou por completo a nossa compreensão das doenças infecciosas no passado”, afirmou Louis L’Hôte, autor principal do estudo. Segundo ele, o pergaminho também pode preservar material genético de patógenos animais.

Publicado na revista Science Advances, o estudo concluiu ainda que o genoma do vírus da varíola ovina permaneceu estável nos últimos milênios, diferentemente do vírus da varíola humana. Os autores avaliam que arquivos e bibliotecas podem guardar vestígios genéticos de surtos de doenças animais do passado.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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