Exames de imagem molecular passaram a mostrar, em vida, alterações associadas à doença de Alzheimer no cérebro. A tecnologia amplia a investigação médica, que por décadas se apoiou principalmente nos sintomas, nos testes cognitivos e na exclusão de outras causas de demência.
O Alzheimer é a causa mais frequente de demência e representa aproximadamente 60% a 70% dos casos. No Brasil, cerca de 2,7 milhões de pessoas com 60 anos ou mais vivem com alguma forma de demência. O Ministério da Saúde estima que esse contingente chegue a aproximadamente 5,6 milhões em 2050.
A médica nuclear Flávia Dornelas Kurkowski afirma que os biomarcadores permitem acrescentar informações sobre a biologia da doença à avaliação clínica. Ela é médica nuclear no Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear e membro colaboradora da Frente Parlamentar Mista da Tecnologia e Atividades Nucleares.
O que os exames identificam
O PET-CT com FDG analisa o metabolismo cerebral da glicose. Padrões específicos de redução metabólica podem ajudar a diferenciar o Alzheimer de outras doenças neurodegenerativas.
Já o PET amiloide detecta depósitos cerebrais de beta-amiloide, proteína cuja acumulação é uma das principais características biológicas do Alzheimer. O exame também pode medir a quantidade desses depósitos.
“É uma mudança de paradigma”, afirma Kurkowski. Segundo ela, a imagem molecular permite demonstrar alterações relacionadas à doença quando ainda há dúvida clínica, em vez de observar apenas suas manifestações.
Relação com os tratamentos
A identificação da beta-amiloide ganhou importância com os anticorpos monoclonais antiamiloide, uma classe de medicamentos voltada a pessoas selecionadas nos estágios iniciais da doença. Entre eles está o lecanemabe, que age sobre formas da beta-amiloide e tem registro no Brasil.
Para considerar esse tipo de tratamento, é preciso comprovar a presença da patologia amiloide. Essa confirmação pode ser obtida por biomarcadores, incluindo o PET amiloide. A possibilidade de reduzir de forma significativa a carga amiloide cerebral também reforça a utilidade de quantificar os depósitos.
A imagem molecular, porém, não substitui a avaliação médica. O diagnóstico deve reunir história clínica, testes cognitivos, exames laboratoriais, ressonância magnética e, quando houver indicação, biomarcadores específicos. Para Kurkowski, os exames acrescentam uma dimensão biológica à análise, sem substituir o olhar clínico.








