São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Saúde

DSM-6 deve incorporar neurobiologia aos diagnósticos psiquiátricos

Nova edição do manual pretende incluir biomarcadores e fatores genéticos, embora ainda não existam marcadores válidos para a maioria dos transtornos mentais.

DSM-6 deve incorporar neurobiologia aos diagnósticos psiquiátricos
Foto: rudall30/iStock via Getty Images Plus/Reprodução

A próxima edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, conhecido como DSM-6, deverá incorporar elementos da neurobiologia aos diagnósticos psiquiátricos. A Associação Psiquiátrica Americana anunciou que pretende lançar o novo manual nos próximos anos e definiu a inclusão da biologia como uma de suas prioridades.

O DSM é usado por profissionais para diagnosticar pacientes e por pesquisadores para orientar estudos. A edição mais recente, o DSM-5, foi lançada em 2013. Ela recebeu críticas de clínicos e pesquisadores, entre outros motivos, pelo risco de que a ausência de medidas biológicas objetivas medicalize o sofrimento humano e reduza a validade dos diagnósticos.

A integração da neurobiologia ainda será gradual. Pesquisadores afirmam que o conhecimento sobre a base biológica dos transtornos mentais continua em evolução e que não há, atualmente, biomarcadores cientificamente válidos para qualquer condição psiquiátrica, com exceção de certas proteínas usadas no diagnóstico da doença de Alzheimer.

O que são biomarcadores

Biomarcadores são características que podem ser medidas objetivamente para avaliar um processo biológico ou a resposta de uma pessoa a um tratamento. Eles podem ser obtidos por exames de sangue, exames de imagem e outros métodos.

Na medicina, os níveis de hemoglobina glicada ajudam a diagnosticar e monitorar o diabetes, enquanto os níveis de colesterol são usados para determinar o risco cardiovascular. Tomografias computadorizadas podem medir o tamanho de um tumor.

Na psiquiatria, a identificação de marcadores é mais difícil porque as alterações biológicas associadas às doenças mentais são sutis. Além disso, histórico familiar e trauma estão entre os principais fatores de risco para transtornos mentais graves, o que dificulta separar as influências biológicas das psicossociais.

Os transtornos psiquiátricos também são compreendidos como síndromes comportamentais, formadas por sinais e sintomas que podem se sobrepor. Transtornos de ansiedade e de humor, por exemplo, podem ocorrer simultaneamente. O mesmo pode acontecer com esquizofrenia e transtorno bipolar com psicose.

Avanços estudados

Três áreas são consideradas promissoras para a futura integração da biologia ao manual. A primeira envolve a doença de Alzheimer. Em março de 2025, a Food and Drug Administration aprovou um exame de sangue capaz de detectar formas específicas das proteínas amiloide e tau e ajudar a confirmar o diagnóstico da doença.

A segunda área é a dos fatores imunes. A proteína C reativa é produzida pelo fígado em resposta a lesões e infecções. Aproximadamente 30% dos pacientes com depressão apresentam níveis elevados dessa proteína, o que pode ajudar a identificar um subtipo de pacientes com resposta diferente a determinados tratamentos.

A terceira envolve fatores de risco genéticos. Variantes associadas a diferentes transtornos mentais podem ser reunidas em um escore de risco poligênico, que ofereceria uma estimativa mais ampla do risco de desenvolver uma doença. Esses marcadores ainda não estão prontos para uso clínico.

Perspectivas para o DSM-6

Em 2013, uma pesquisa online realizada pelo psiquiatra Henry Nasrallah indicou que 65% dos entrevistados previam que o DSM-6 incluiria exames laboratoriais para diagnosticar transtornos psiquiátricos.

A incorporação da neurobiologia poderá ampliar a perspectiva científica sobre a saúde mental à medida que as pesquisas avancem. A expectativa é que, no futuro, exames genéticos, imagens cerebrais e exames de sangue contribuam para diagnósticos mais precisos e tratamentos personalizados.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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