A presença de microrganismos na barba não significa que ela seja mais suja do que outras regiões do corpo. Eles estão espalhados pelas superfícies do planeta, incluindo a pele e os pelos. Os cuidados necessários estão principalmente na limpeza, na hidratação, na forma de raspar e na secagem.
Secagem e limpeza
A umidade favorece o surgimento de bactérias e pode contribuir para o aparecimento de caspas. Por isso, a barba deve ser seca depois de cada lavagem. Pelos curtos podem ser enxugados com uma toalha de rosto. Para barbas longas, a recomendação é usar um secador afastado do rosto, com temperatura entre 70 °C e 80 °C, para reduzir o risco de queimaduras.
A limpeza pode ser feita com sabonete, espuma de barbear, xampu específico para a barba ou o gel usado no rosto. O produto deve ser espalhado entre os pelos com os dedos, em movimentos de massagem. De acordo com o dermatologista Vitor Bechara, xampu para barba e gel facial limpam com a mesma eficiência; o primeiro tem, porém, substâncias hidratantes e calmantes. O ideal é lavar e secar os pelos duas vezes por dia.
Hidratação dos fios e da pele
A hidratação evita que os pelos fiquem quebradiços e com aparência opaca. A pele também precisa ser cuidada, embora a barba ofereça alguma proteção. A escolha do produto depende das características da pele e dos fios, como sensibilidade e oleosidade. Balm, gel e óleo seco podem ser utilizados, e os mesmos produtos aplicados nos pelos podem atender à pele.
Bechara recomenda procurar, por exemplo, fórmulas com pantenol, ácido hialurônico e alfa-bisabolol. Pessoas mais velhas podem ter a pele mais frágil e precisar de atenção adicional.
Cuidados ao raspar
A lâmina pode irritar a pele, causar vermelhidão e provocar foliculite, caracterizada por bolinhas que coçam. Por isso, a qualidade do barbeador é importante. Bechara afirma: “Mesmo os bons vão durar, quando muito, quatro barbas.” O uso além desse período pode aumentar a irritação e favorecer a foliculite. Apesar de algumas marcas indicarem duração de até seis meses, o dermatologista recomenda trocar o aparelho depois de um mês.
Compressas mornas antes do procedimento ajudam a abrir os folículos e facilitam o corte. Depois, compressas frias contribuem para desinflamar a região. O cuidado pode ser finalizado com um balm relaxante compatível com o tipo de pele.
A lâmina deve acompanhar o sentido de crescimento dos pelos, tanto na remoção completa quanto ao desenhar a barba. Passá-la no sentido contrário agride mais a pele e aumenta a possibilidade de foliculite. Se surgirem bolinhas, não se deve raspar sobre elas durante a inflamação.
Outra possibilidade é a hidradenite, doença inflamatória que pode causar caroços doloridos, nódulos e abscessos recorrentes. Quando o quadro é crônico ou parece piorar, a orientação de Bechara é procurar um dermatologista. “Nem tudo que está na barba é uma foliculite simples”, afirma.







