Rússia e China reagiram ao reconhecimento dos Estados Unidos de que há armas de controle espacial posicionadas na órbita da Terra. O Ministério das Relações Exteriores da China acusou Washington de se preparar para uma guerra no espaço sideral e afirmou ser contra transformar a região em um campo de batalha.
Em Moscou, Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, disse que a Rússia acredita “que o espaço deve estar livre de qualquer arma” e defendeu “a completa desmilitarização do espaço”.
A declaração americana foi feita nesta segunda-feira (14), durante uma conferência. Troy Meink, secretário da Força Aérea, confirmou a existência dos armamentos, mas não informou quais sistemas foram posicionados, como funcionam ou quando foram lançados. O governo americano não havia reconhecido publicamente antes o uso de poderes bélicos no espaço.
Meink afirmou que os sistemas podem proteger as forças americanas contra ações hostis. “Hoje, continuamos a garantir que estamos prontos para enfrentar os desafios de ameaças em evolução, onde quer que elas existam”, disse.
O que pode ser considerado arma espacial
Em teoria, esses armamentos podem atacar sondas, satélites artificiais e outros sistemas em órbita. Também podem ser usados contra alvos na Terra a partir do espaço ou para neutralizar mísseis. A fonte afirma, porém, que muitas dessas tecnologias ainda não estão tecnicamente maduras o suficiente.
A criação da Força Espacial, durante o primeiro mandato de Donald Trump, foi uma iniciativa voltada à proteção dos bens dos Estados Unidos no espaço. O setor existe desde 2019.
A militarização do espaço começou durante a corrida espacial. Depois que o satélite soviético Sputnik entrou em órbita, em 1957, Washington e Moscou passaram a explorar formas de armar e destruir satélites.
O Tratado do Espaço Exterior, criado em 1967, proíbe armas de destruição em massa no espaço. O acordo surgiu durante a Guerra Fria, quando a principal preocupação era a instalação de armas nucleares em órbita. Mais de 110 países fazem parte do tratado, incluindo Estados Unidos, Rússia e China.
O documento não proíbe expressamente armas convencionais na órbita da Terra. Por isso, armas antissatélite, sistemas de guerra eletrônica e outros armamentos não são automaticamente proibidos.
China e Rússia já foram acusadas pelo governo americano de realizar manobras militares no espaço e usar técnicas de interferência contra satélites dos Estados Unidos. Os dois países negam. Especialistas avaliam que o anúncio pode tornar o espaço sideral um domínio ainda mais disputado.







