A cor das fezes dos pinguins-de-adélia pode indicar em que fase do ciclo reprodutivo eles estão e ajudar a acompanhar mudanças na região da Antártida. O tom rosado do guano varia conforme a alimentação e as necessidades energéticas dos animais.
Quando há bastante gelo marinho perto da colônia, esses pinguins tendem a consumir mais peixes. Já em períodos de águas mais quentes, o acesso ao krill aumenta durante a fase em que os adultos alimentam os filhotes. Nessas condições, o comportamento de caça se altera de forma significativa.
O que dá a cor às fezes
O krill é um pequeno crustáceo rosado que se alimenta de fitoplâncton, formado por minúsculas algas marinhas. Os carotenoides presentes nessas algas são responsáveis por pigmentos que variam entre o amarelo, o laranja e o vermelho. Como os pinguins comem grandes quantidades de krill, esses compostos acabam dando às fezes uma tonalidade vermelho-rosada.
Os carotenoides também estão associados às cores de cenouras, margaridas, mamões, abóboras, toranjas e tomates, além de flamingos e salmões. Os animais conseguem modificar e incorporar os pigmentos ingeridos, mas não produzem carotenoides.
Relação com a sobrevivência
A composição da dieta afeta o desenvolvimento dos filhotes. Os que recebem peixe costumam ser mais pesados do que aqueles alimentados com krill, e os filhotes de maior peso têm mais chances de chegar à idade adulta.
Por isso, a redução do consumo de peixe está associada à diminuição do número de pinguins em locais onde essa mudança ocorreu. No caso dos pinguins-de-adélia, esse efeito é observado desde 2010.
O gelo marinho ao redor da Antártida vem diminuindo de forma intensa, e a tendência deve continuar nas próximas décadas. Nesse cenário, o acompanhamento do período reprodutivo e da dieta dos pinguins pode se tornar cada vez mais importante. A produção abundante de fezes rosadas é tão intensa que as manchas podem ser vistas do espaço.







