Um método baseado no magnetismo registrado na argila pode ajudar a distinguir cerâmicas antigas de peças modernas e falsificadas. A técnica ainda não produz uma data precisa, mas indica se o artefato provavelmente foi fabricado no passado distante ou recentemente.
A pesquisa parte da composição das cerâmicas, feitas de argila que contém minerais ferromagnéticos. Durante a queima em forno, essas partículas se orientam conforme a posição do polo norte magnético da Terra. O registro permanece na peça depois do resfriamento e é chamado de magnetização remanescente térmica, ou TRM.
Como a posição do polo magnético muda ao longo do tempo, cerâmicas produzidas em períodos diferentes guardam orientações ligeiramente distintas. Depois da queima, a exposição contínua ao campo geomagnético também pode gerar um segundo registro, mais fraco: a magnetização remanente viscosa, conhecida como VRM.
Esse sinal costuma ser tratado como interferência na análise da TRM. O novo estudo, porém, usa justamente a persistência da VRM para separar cerâmicas antigas de recentes. Os pesquisadores reaquecem as amostras gradualmente e observam em que temperatura o registro mais novo desaparece.
Testes com 45 amostras
Foram examinadas 45 amostras: 19 peças e fragmentos antigos escavados, 6 vasos modernos queimados em fornos tradicionais, 16 impressões de selos de argila produzidas em fornos modernos e 4 vasos vendidos como souvenir.
A análise mostrou que amostras com mais de um milênio precisavam ser aquecidas a pelo menos 112 ºC para apagar a VRM. Nas cerâmicas mais novas, o registro desaparecia em temperaturas menores. Segundo os pesquisadores, o procedimento ainda serve para classificar o material como antigo ou moderno, e não para estabelecer sua idade exata.
A equipe também aplicou o método a três artefatos de autenticidade questionável confiscados pela Autoridade de Antiguidades de Israel. Os resultados indicaram que os objetos haviam sido queimados na antiguidade.
Possível uso contra o comércio ilegal
Além de contribuir para a identificação de falsificações, a técnica pode ajudar a reconhecer artefatos autênticos que foram saqueados e vendidos ilegalmente. O problema, de acordo com Yoav Vaknin, coautor do estudo, é que falsificadores podem acompanhar as descobertas científicas e adaptar seus métodos.
“É difícil para nós estarmos à frente dos falsificadores”, disse Vaknin. Ele afirmou que espera que a técnica seja útil para curadores de museus, arqueólogos, historiadores e autoridades responsáveis pelo combate ao comércio ilícito de antiguidades.







