São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Matemática questiona explicação tradicional para as curvas do Partenon

Modelagens de Alain Goriely indicam que as alterações na estrutura produzem efeitos visuais quase imperceptíveis.

Matemática questiona explicação tradicional para as curvas do Partenon
Foto: Jose Barbosa/Pexels

As curvas incorporadas ao Partenon não parecem ter sido feitas para corrigir ilusões de ótica. Essa é a conclusão do matemático Alain Goriely, da Universidade de Oxford, após analisar a estrutura do templo e reconstruir matematicamente os efeitos visuais associados a seus elementos.

Os resultados foram publicados nesta quarta (16) no periódico científico Royal Society Open Science. Goriely não encontrou evidências que confirmassem a explicação tradicional de que os gregos teriam modificado o edifício para compensar distorções percebidas por quem o observasse à distância.

A origem da explicação

O pesquisador também investigou quando surgiu a ideia de que as curvas do Partenon teriam uma função óptica. A referência mais antiga localizada por ele está em um livro do século I a.C., escrito pelo arquiteto romano Vitrúvio. A interpretação foi repetida em estudos posteriores e continua presente até hoje.

Localizado em Atenas, na Grécia, o Partenon foi originalmente construído como templo dedicado à deusa Atena. Ao longo dos séculos, também foi transformado em uma igreja cristã e em uma mesquita. O edifício tem cerca de 30 metros de largura, mais de 13 metros de altura e é formado majoritariamente por mármore.

Embora pareça reto, o templo apresenta alterações discretas. Sua base é curva e levemente elevada no centro, em cerca de 6 centímetros. Uma hipótese tradicional dizia que essa característica evitaria a impressão de que a estrutura estivesse cedendo no meio quando vista de longe. A modelagem de Goriely, porém, indicou que o efeito seria praticamente imperceptível.

As colunas têm pequenas protuberâncias, que também foram associadas à correção da ilusão de Hering. Nesse fenômeno, linhas paralelas sobrepostas podem parecer curvas à distância. O estudo concluiu que as colunas são verticais demais para produzir esse resultado e que suas alterações são pequenas demais para serem percebidas de longe.

Sem confirmar a explicação óptica, o pesquisador considera possíveis outras razões para essas escolhas arquitetônicas, como evitar o acúmulo de água da chuva ou atender a objetivos estéticos. No artigo, Goriely escreve: “A principal lição do Partenon é que somos propensos a nos iludir na busca por mistérios antigos”.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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