A influência de uma mesa organizada ou desorganizada sobre o comportamento pode depender do objetivo e das características de cada pessoa. Estudos citados no texto associam a desordem a ideias mais criativas e à preferência por novidades, enquanto a organização aparece ligada a escolhas convencionais e saudáveis.
Em uma pesquisa realizada em 2013 por pesquisadores da Universidade de Minnesota, participantes foram colocados em salas com níveis diferentes de organização e convidados a sugerir novos usos para bolas de pingue-pongue. As ideias produzidas no ambiente desorganizado foram avaliadas como mais criativas e interessantes por avaliadores independentes.
Outro experimento indicou que as pessoas nesse tipo de sala demonstravam maior disposição para escolher um produto novo em vez de um já estabelecido. Nos ambientes organizados, os testes registraram maior escolha de alimentos saudáveis, doações para caridade e preferência por alternativas apresentadas como “clássicas”.
O papel do autocontrole
Os resultados não significam que a desordem produza os mesmos efeitos em todas as pessoas. Em 2020, os cientistas voltaram ao tema e analisaram o autocontrole individual. Participantes com alto autocontrole tiveram desempenho criativo melhor em ambientes desorganizados. Entre aqueles com baixo autocontrole, houve pouca diferença entre os dois tipos de ambiente.
Um estudo da Universidade Normal de Shandong, também de 2013, chegou a resultados compatíveis. Pessoas em espaços desorganizados apresentaram desempenho superior em medidas de criatividade como fluência, flexibilidade e originalidade. A pesquisa sugeriu que esse ambiente pode ampliar a flexibilidade cognitiva e estimular formas menos convencionais de pensamento.
Possível explicação cognitiva
Pesquisadores da Universidade de Jinan investigaram como a ordem do ambiente se relaciona ao processamento de informações. As evidências apontaram que a desordem pode favorecer uma abordagem mais global e conceitual, enquanto a organização tende a direcionar a atenção para aspectos locais e detalhes.
A interpretação dos autores é que não existe uma condição sempre melhor. A organização pode favorecer convenções, tradição, manutenção do que já existe e escolhas saudáveis. A desordem, por outro lado, pode estimular a quebra de convenções, a busca por novidades e a criatividade.
A associação também aparece em relatos sobre pessoas famosas, como Albert Einstein, Mark Twain e Steve Jobs, que são citadas como exemplos de indivíduos com mesas bagunçadas. Esses casos, porém, não substituem os resultados dos experimentos sobre a relação entre ambiente, comportamento e criatividade.







