São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ciência

Partidos do Império deram origem à disputa entre saquaremas e luzias

A política partidária brasileira se consolidou em 1837, mas foi precedida por facções formadas após a Independência.

Partidos do Império deram origem à disputa entre saquaremas e luzias

O Partido Missão é o partido político mais recente do Brasil. Criado pelo Movimento Brasil Livre (MBL), que ganhou projeção nacional em 2014 ao organizar manifestações contra o governo Dilma Rousseff, teve o registro deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral em novembro de 2025. Com isso, passou a ser o 30° partido político em atividade no País. Renan Santos é o presidente da legenda e candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.

O partido mais antigo ainda em atividade é o Partido Comunista Brasileiro (PCB), fundado em 25 de março de 1922 com o nome Partido Comunista do Brasil. A organização atravessou períodos de clandestinidade durante perseguições no Estado Novo e na ditadura militar, mas não deixou de existir formalmente. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) surgiu em 1962, depois de uma dissidência com o PCB, e também considera 1922 como seu ano de fundação por compartilhar a história e o nome original da organização.

A formação dos partidos do Império

No Brasil Império, os primeiros partidos políticos reconhecidos pela maior parte dos historiadores apareceram a partir de 1837: o Partido Conservador, associado aos saquaremas, e o Partido Liberal, identificado como luzia. Eles resultaram da divisão dos liberais moderados, que dominavam a política desde o começo do Período Regencial, com os exaltados, ala mais radical desse grupo.

Os nomes nasceram de referências geográficas. Saquarema era uma vila da província do Rio de Janeiro, onde viviam vários integrantes do Partido Conservador e costumavam ocorrer reuniões do grupo. Luzia foi um apelido usado pelos conservadores em referência à Batalha de Santa Luzia, em Minas Gerais, em 1842. Naquele confronto, os liberais foram derrotados, e os conservadores venceram.

Embora rivalizassem pelo comando político, os dois partidos reuniam a elite latifundiária. Ambos defendiam a filosofia liberal clássica, com pouca intervenção do Estado na economia, e apoiavam a manutenção do sistema de escravizados. A principal diferença estava no grau de centralização do poder: os conservadores defendiam um governo central forte no Rio de Janeiro, enquanto os liberais queriam mais autonomia para as províncias.

A frase “Nada mais parecido com um conservador (saquarema) do que um liberal (luzia) no poder” foi dita pelo senador Antônio Holanda Cavalcanti, visconde de Albuquerque. Para Nelson Werneck Sodré e Caio Prado Júnior, as diferenças entre as duas correntes eram apenas retóricas.

O imperador e as correntes anteriores

Dom Pedro II tomou posse em 1840 e alternava conservadores e liberais no comando dos gabinetes de ministros como forma de manter a estabilidade política do Império. Esse arranjo, instituído em 1847, ficou conhecido como parlamentarismo às avessas. Nele, o imperador escolhia o primeiro-ministro por meio do Poder Moderador, também chamado de quarto poder, e podia nomear ministros e dissolver a Câmara.

Até 1837, as organizações políticas eram, a rigor, facções. Formadas após a proclamação da Independência, reuniam pessoas com interesses comuns ou procedentes de uma mesma região e, inicialmente, defendiam causas específicas, sem se apresentar como grupos destinados a disputar o poder.

As duas principais eram o grupo Português e o grupo Brasileiro. O primeiro reunia comerciantes portugueses favoráveis à preservação dos laços com Portugal. O segundo era formado por grandes proprietários rurais e comerciantes que defendiam o livre comércio. Com o avanço da colonização portuguesa e a difusão dos ideários da Revolução Francesa, essas facções ganharam contornos mais próximos dos partidos atuais, e a palavra “partido” substituiu gradualmente “facção”.

Os saquaremas e os luzias desapareceram com a Proclamação da República, em 1889.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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