O relatório de emprego dos Estados Unidos elevou as apostas de que o Federal Reserve poderá aumentar os juros em setembro. Divulgado nesta sexta-feira (4), o indicador mostrou a criação de 162 mil vagas em agosto, acima do pico das estimativas de 125 mil. A taxa de desemprego ficou em 4,1%, enquanto o salário-hora avançou 0,3%.
O movimento fortaleceu o dólar no exterior e influenciou os negócios no Brasil. A moeda americana fechou cotada a R$ 5,1308, com alta de 0,52% no dia. Durante a sessão, chegou a R$ 5,1407, depois de registrar mínima de R$ 5,1022 na abertura. Na semana, porém, acumulou queda de 1,26%. Nos quatro primeiros dias de setembro, recuou 0,95%, após subir 2,16% em agosto.
Operadores atribuíram a valorização no mercado brasileiro a um ajuste de posições depois de quatro pregões seguidos de queda, período em que o dólar havia perdido 1,77%. O real teve um dos piores desempenhos do dia entre as divisas mais líquidas.
A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira à noite apontou empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno. Lula apareceu com 46% das intenções de voto, ante 44% de Flávio Bolsonaro. O cenário contribuiu para o aumento das chances atribuídas à oposição na corrida presidencial, segundo operadores.
“Os investidores se assustaram hoje um pouco com a geração de emprego três vezes superior às expectativas”, afirmou Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora. Para ele, a semana de queda refletiu o ajuste dos prêmios de risco diante da possibilidade de vitória de Flávio.
O índice DXY, que acompanha o dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, superou 99,000 pontos e subia 0,24% por volta das 17h, aos 99,150 pontos. A máxima foi de 99,392 pontos, e o índice terminou a semana com baixa de cerca de 0,50%.
A economista Luíza Pinese, da XP, apontou a possibilidade de alta dos juros nos Estados Unidos como o principal risco para o real até o fim do ano. Ela manteve a projeção de câmbio a R$ 5,00 no fim do ano, mas não descartou maior volatilidade no curto prazo. O relatório CPI de agosto dos Estados Unidos será divulgado na próxima sexta-feira, 11.







