São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Economia

Indústria argentina encolhe e desemprego chega a 7,9% sob Milei

Levantamentos apontam redução de empresas e empregos formais, enquanto a inflação anual caiu para 33,5% em agosto.

Indústria argentina encolhe e desemprego chega a 7,9% sob Milei

A taxa de desemprego argentina chegou a 7,9% da população economicamente ativa no primeiro semestre de 2026, alta de 0,3 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025. O cálculo é do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec).

A deterioração do mercado de trabalho ocorreu enquanto a inflação anual recuou de 289%, em abril de 2024, para 33,5%, em agosto deste ano, considerando os 12 meses anteriores. Os dados mostram desempenhos distintos entre o controle de preços, a atividade industrial e o emprego durante o governo do presidente Javier Milei.

Empresas e empregos

O relatório Monitor Mensal de Empresas, da Fundar, aponta que 31,3 mil empresas deixaram de operar entre novembro de 2023, quando Milei assumiu o governo, e junho de 2026. A redução equivale a 6,1% das companhias registradas na Argentina.

Dos 18 setores analisados, 14 tiveram retração no número de empresas. O movimento alcançou 23 das 24 províncias. Neuquém foi a única exceção, com impulso da exploração de gás natural de Vaca Muerta sobre as exportações.

No último mês avaliado, 709 companhias fecharam. Entre elas estavam a metalúrgica Din S.A. (Grupo Govan) e a empresa têxtil Clan Issime, ambas com mais de 50 anos de atividade. A Fundar informou que a Clan Issime chegou a ter 129 funcionários, 14 lojas próprias e mais de cem pontos de venda terceirizados. No encerramento, restavam 9 trabalhadores na fábrica.

O Centro de Economia Política Argentina (Cepa) calculou a perda de 245,6 mil empregos privados registrados entre novembro de 2023 e junho de 2024, o equivalente a uma queda de 3,9%. No mesmo período, o número de trabalhadores autônomos aumentou em 169 mil, avanço de 8,3% nessa modalidade.

Indústria e avaliação econômica

A indústria argentina registrou retração acumulada de 2,6% em 12 meses até julho deste ano, segundo dados oficiais do Indec. O pior resultado foi o da indústria de equipamentos eletrônicos e médicos, com queda de 19,1% em um ano.

Para Paulo Gala, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), a estabilidade da inflação é frágil. Ele relacionou o resultado ao corte de gastos públicos, aos empréstimos com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e à valorização do peso, que, segundo sua avaliação, prejudica a indústria.

“A moeda sobrevalorizada ajuda a controlar a inflação, só que ela detona o setor industrial”, afirmou Gala. O economista também apontou uma dívida externa de US$ 350 bilhões.

Milei rebateu as avaliações negativas em uma conferência sobre a economia argentina, no final de agosto. O presidente citou exportações, consumo privado, inflação e o Produto Interno Bruto (PIB), que cresceu 4,4% em 2025 após recuar 1,3% em 2024. “Se fosse realmente o caso de todas as empresas estarem fechando e nenhuma abrindo, o desemprego teria que estar disparando”, disse.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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