São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mundo

Inflação e perda de empregos pressionam pobreza na Argentina em 2026

O país registrou 32,3% da população abaixo da linha da pobreza no primeiro semestre, com 595 mil novos indigentes.

Inflação e perda de empregos pressionam pobreza na Argentina em 2026

A atividade econômica da Argentina encolheu 2,9% em julho, a maior queda mensal dos últimos seis anos. O recuo ocorreu enquanto o país registrou aumento da pobreza e da indigência no primeiro semestre de 2026, segundo o Instituto de Estatísticas e Censos (Indec).

O índice de pobreza chegou a 32,3% da população, o equivalente a 15,5 milhões de pessoas. O resultado representa alta de 4,1 pontos percentuais em relação ao segundo semestre de 2025, quando a taxa era de 28,2%, e de 0,7 ponto na comparação com o primeiro semestre do ano passado, quando estava em 31,6%.

Entre os novos pobres, 595 mil passaram à indigência. O grupo representa 7,5% da população, ou 3,6 milhões de pessoas. A taxa ficou 1,2 ponto acima da registrada no segundo semestre de 2025, de 6,3%, e 0,6 ponto acima dos 6,9% do semestre anterior.

Pressão sobre renda e consumo

A Cesta Básica Total aumentou 19,6% no primeiro semestre, acima da inflação acumulada de 16,8% no período. Em 12 meses, a alta da cesta chegou a 34,7%, enquanto os salários subiram 25%.

O salário mínimo acumulou perda real de 39,1% desde dezembro de 2023, quando começou o governo do presidente Javier Milei. Os programas sociais também foram afetados: alguns foram eliminados e outros perderam valor diante do avanço dos preços.

A pobreza alcança 24,4% dos lares argentinos. Nesses domicílios vivem 44,5% das crianças e dos adolescentes de até 14 anos do país. A parcela da população classificada como pobre não consegue cobrir a Cesta Básica Total Familiar, que inclui alimentos, energia, água, roupas e transporte para uma família com dois filhos. Os indigentes não conseguem pagar sequer a Cesta Básica de Alimentos.

“Cerca de 30% da população depende cada vez mais dos programas sociais. Sem isso, a pobreza extrema de 7,5% seria o dobro”, afirmou Agustín Salvia, diretor do Observatório da Dívida Social Argentina, da Universidade Católica.

Emprego formal em queda

Desde o começo do governo Milei, o mercado de trabalho registra destruição acelerada de empregos formais. São eliminados, em média, 460 postos por dia em unidades produtivas, além de 30 empregos domésticos diariamente. A fonte também registra uma média de 490 postos de trabalho destruídos por dia desde a posse do presidente, em dezembro de 2023.

Salvia atribui o avanço da pobreza à combinação de inflação, deterioração do mercado de trabalho, menor atividade econômica e redução do consumo. Segundo ele, pequenas e médias empresas, responsáveis por empregar mais pessoas, não estão criando vagas.

A atividade econômica recuou 1,4% nos 12 meses até julho. Comércio, indústria e construção, setores que concentram empregos, estão em queda. O mercado se prepara para uma recessão técnica ao fim de setembro, caso complete dois trimestres consecutivos de contração.

O Centro de Economia Política Argentina (CEPA) afirmou, em relatório publicado nesta sexta-feira (25), que o cenário pode manter a pobreza em alta. O documento aponta que as cestas básicas permanecem acima da inflação e prevê novas perdas no poder de compra do salário mínimo, dos planos sociais e da aposentadoria mínima.

O CEPA também disse que a redução da pobreza registrada até o ano passado foi influenciada por uma mudança na metodologia adotada no começo do governo Milei. O Indec passou a detalhar mais a renda do trabalho informal, único segmento do mercado de trabalho que cresceu, segundo os dados citados. O relatório, porém, afirma que a migração do emprego formal para o informal implica perda de pelo menos 35% na remuneração.

Entre a posse de Milei e março de 2026, o salário do emprego não registrado cresceu 36,3% em termos reais, conforme dados do Indec citados no relatório. O CEPA questiona esse resultado porque contrasta com a retração do mercado, a queda das taxas de emprego e o aumento do desemprego.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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