BRASÍLIA — A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou falhas no controle de contratos de crédito consignado do Banco Master, incluindo validação biométrica insuficiente e registros associados a pessoas já mortas. A auditoria também apontou que a assinatura dos beneficiários do INSS apareceu depois do início da validade em 93,3% dos contratos analisados.
No caso do Master, 62,4% dos contratos eletrônicos não tiveram validação biométrica suficiente, conforme a auditoria. Esse foi o terceiro maior percentual entre os bancos avaliados. A checagem deveria comparar os dados dos beneficiários com bases biométricas do governo.
Contratos e assinaturas
A análise examinou 165.990 contratos firmados entre 2019 e 2025. Desse total, 154.867 tinham assinatura registrada nos dias seguintes ao início da vigência. Em 2,8% dos casos, o registro ocorreu no dia seguinte; em 90,5%, dois dias ou mais depois.
A prática foi encontrada em 53 instituições financeiras. A CGU informou que nenhum outro banco apresentou proporção tão alta desse indício entre os contratos de crédito consignado destinados a aposentados e pensionistas do INSS.
A Controladoria afirma que a autorização do empréstimo e a formalização dos descontos nas aposentadorias exigem manifestação expressa do beneficiário, com assinatura e reconhecimento biométrico. Também diz que um contrato não pode ser averbado sem comprovação da assinatura.
Os auditores registraram que “é possível que parte dos achados decorra de erros de preenchimento de informações”. Na avaliação da equipe, esse tipo de falha pode dificultar a identificação da data efetiva de vigência e distorcer o cálculo dos valores financiados e das dívidas dos clientes.
Outros achados da auditoria
A CGU detectou 110.128 contratos vinculados a 48.945 CPFs de pessoas que já haviam morrido. Os registros correspondem a 0,05% do universo analisado e foram identificados em 62 instituições financeiras, incluindo o Master.
A auditoria também apontou que 37,8% dos benefícios do INSS tinham descontos relacionados a algum tipo de crédito consignado em 2025. Esses descontos somaram R$ 108 bilhões.
O relatório concluiu haver fragilidades no bloqueio de benefícios, falhas de controle na segurança das operações financeiras, insuficiência dos mecanismos adotados pelo INSS e problemas sistêmicos nos acordos de cooperação técnica usados para operar o crédito consignado.
Credcesta e respostas
A investigação do Ministério Público Federal no Distrito Federal examina a operação de crédito consignado com beneficiários do regime geral de previdência e o funcionamento do Credcesta, cartão do Banco Master que oferecia benefícios como desconto em farmácia e auxílio-funeral. A modalidade foi incluída na auditoria da CGU.
O INSS informou que não mantém relação com o Master há mais de um ano. O acordo de cooperação técnica entre o órgão e o banco foi encerrado em setembro de 2025, depois de cinco anos. O instituto afirmou ter cobrado documentos e explicações e instaurado processos para apurar os casos identificados.
“O INSS tem aprimorado os processos relacionados ao crédito consignado nos últimos meses”, afirmou o órgão. A instituição também informou ter adotado bloqueios automáticos para impedir operações em situações de óbito.
A auditoria foi concluída em julho e divulgada no dia 8. A defesa de Daniel Vorcaro não respondeu aos questionamentos enviados por email na segunda-feira (28).








