RECIFE — A falta de dinheiro para pagar a entrada ou financiar um imóvel é apontada por 41% dos entrevistados na pesquisa “Retratos do morar”, realizada pela Ipsos-Ipec e encomendada pelo Grupo QuintoAndar. Entre pessoas da geração Z, de 18 a 28 anos, esse percentual chega a 47%.
O levantamento mostra que metade dos jovens nessa faixa etária pretende comprar um imóvel, acima da média nacional, de 41%. Outros 30% dos entrevistados dizem que os preços subiram demais, enquanto 21% citam os juros muito altos como impedimento. Além disso, 37% afirmam que gostariam de guardar dinheiro, mas as despesas atuais consomem toda ou quase toda a renda.
No Recife, o preço médio do metro quadrado chegou a R$ 8.912 em agosto de 2026, conforme o Índice FipeZAP. O valor acumulou alta de 6,74% em 12 meses e foi o terceiro maior entre as capitais do Nordeste.
Apoio para a entrada
Em Pernambuco, o programa Morar Bem PE – Entrada Garantida oferece R$ 20 mil para famílias com renda de até dois salários mínimos, residentes no estado e sem imóvel próprio, segundo a Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab). O benefício pode ser combinado com o subsídio do Minha Casa, Minha Vida, que chega a R$ 55 mil. A soma pode alcançar R$75 mil e, em alguns casos, cobrir toda a entrada exigida pela Caixa Econômica Federal.
Mais de 27,5 mil famílias foram contempladas pelo Entrada Garantida. Considerando outras frentes, o Morar Bem PE já beneficiou mais de 50 mil famílias em Pernambuco, ainda de acordo com a Cehab.
A estudante de Educação Física Sarah Gonçalves recorreu ao programa para comprar uma casa. Ela direciona cerca de 80% da renda mensal para o imóvel e diz que o subsídio reduziu o valor necessário para concluir a compra. “O Morar Bem foi fundamental porque sem ele eu tenho certeza que não conseguiria fazer a compra do imóvel”, afirmou.
Cuidados antes do contrato
Além da entrada e das parcelas, a compra envolve impostos, documentação, registro e taxas ligadas ao financiamento. Esses custos acessórios podem representar entre 4% e 8% do valor venal do imóvel.
O advogado imobiliário Sérgio Rodrigues recomenda verificar a situação jurídica e financeira do imóvel e dos proprietários anteriores antes de assinar documentos ou pagar qualquer valor. A análise deve incluir a matrícula atualizada, certidões relativas ao IPTU e ao condomínio e os documentos dos vendedores.
Também é necessário conferir no contrato os índices de correção, juros, prazos de entrega e possíveis multas. Em imóveis em construção, o documento pode estabelecer regras para a correção do saldo e a conclusão da obra. Para Rodrigues, “a assessoria jurídica deve ocorrer antes do desembolso de qualquer valor ou assinatura de qualquer documento”.








