São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Baterias ganham valor antes da construção em meio à corrida por conexões

Itália e Alemanha concentram pedidos de armazenamento, enquanto investidores passam a financiar projetos ainda em desenvolvimento.

Baterias ganham valor antes da construção em meio à corrida por conexões

A expansão das fontes renováveis elevou a importância dos sistemas de armazenamento de energia, conhecidos como BESS. Como a produção solar e eólica varia conforme as condições de geração, períodos de excedente podem levar os preços da eletricidade no mercado atacadista a valores negativos. As baterias absorvem essa energia e a devolvem quando necessário.

Itália e Alemanha ampliam pedidos

Na Itália, os pedidos de conexão para sistemas de armazenamento em alta e muito alta tensão chegaram a 300 GW no fim de 2025, segundo dados da Terna. Desse total, 56 projetos tinham autorização e 6,8 GW estavam prontos para iniciar as obras.

Os sistemas já instalados no país somavam 7,4 GW de potência e 17,9 GWh de capacidade. A Terna estima uma necessidade de cerca de 72 GWh em 2030, com aumento nos cenários previstos para 2040.

Na Alemanha, os operadores de rede receberam 18 158 pedidos para grandes sistemas de armazenamento apenas em 2025, equivalentes a 573,5 GW. As ofertas de conexão emitidas alcançavam 54,2 GW, enquanto as instalações em operação, da média tensão para cima, totalizavam 3,6 GW.

A Bundesnetzagentur alertou que parte dos pedidos pode estar duplicada. Um mesmo promotor pode apresentar um projeto em diferentes pontos da rede e decidir posteriormente onde construí-lo. A prática cria uma reserva de espaço no sistema elétrico antes da instalação das baterias.

Financiamento chega aos projetos

A mudança no financiamento aparece na trajetória da alemã Kyon Energy. Em janeiro de 2024, a TotalEnergies comprou a empresa de seus três fundadores por 90 milhões de euros pagos de imediato, além de parcelas posteriores condicionadas ao desempenho. Naquele momento, a Kyon havia desenvolvido 770 MW e mantinha uma carteira avançada de mais 2 GW.

Em 2026, a TotalEnergies vendeu à Allianz Global Investors 50% de onze projetos da Kyon, que somavam 789 MW e 1 628 MWh. Em julho, foi anunciado um financiamento de projetos de cerca de 440 milhões de euros, subscrito por dez instituições financeiras.

Contratos de tolling, pelos quais um operador paga para usar a capacidade da bateria, ajudam a garantir parte das receitas e tornam os fluxos de caixa mais previsíveis.

Stefano Endrizzi, sócio da MergersCorp, afirmou: “Quantos têm a capacidade económica de construir? Muito poucos, talvez um em cinquenta”. Segundo ele, muitos empreendedores conseguem reservar um terreno e desenvolver o projeto apenas no papel. Com isso, o ativo pode adquirir valor antes da construção.

Licitação reduz preço na Itália

Na primeira licitação MACSE, em setembro de 2025, a Terna contratou 10 GWh de capacidade, integralmente em baterias de íons de lítio. As propostas superaram em mais de quatro vezes a capacidade disponível. O preço médio ponderado caiu para 12 959 euros/MWh-ano, ante um preço de reserva de 37 000 euros — redução de cerca de 65 por cento.

A Modo Energy contabilizou 82 operações BESS na Europa em 2025, contra 25 no ano anterior, com valor declarado de 8,6 bilhões de euros. A dívida divulgada subiu de 1,4 para 6,1 bilhões de euros, e o financiamento de projetos representou metade das operações.

Regras tentam conter projetos especulativos

A Comissão Europeia apontou, nas orientações sobre conexões à rede de dezembro de 2025, os pedidos especulativos e os projetos que não avançam como causas das filas. O documento menciona pedidos múltiplos para um mesmo projeto, retenção de capacidade e bloqueio de conexões com a intenção de revender os direitos.

Entre as medidas propostas estão critérios de maturidade, prazos, penalidades e depósitos financeiros que podem ser perdidos caso o investimento não seja realizado.

Na Itália, o decreto Bollette de fevereiro de 2026 criou uma reforma contra a chamada saturação virtual da rede. A capacidade deverá ser atribuída definitivamente a projetos autorizados, e algumas conexões obtidas por iniciativas ainda imaturas poderão caducar. O decreto de aplicação do MASE foi assinado em 8 de setembro, mas ainda depende de uma etapa regulamentar da ARERA.

A disputa também alcança os terrenos. O CREA calcula em cerca de 22 400 euros por hectare o valor médio das terras agrícolas italianas em 2024 e registrou ofertas para projetos fotovoltaicos na faixa de 60 000 euros por hectare. Segundo a experiência de Endrizzi, áreas agrícolas no Norte da Itália avaliadas entre 15–25 mil euros por hectare podem receber pedidos de 90–100 mil euros quando se tornam atrativas para projetos de energia.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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