A expansão de medicamentos para emagrecer à base de agonistas de GLP-1, como Mounjaro, Wegovy e Ozempic, começa a mudar hábitos de consumo e a influenciar o setor atacadista. O mercado brasileiro dessas canetas movimentou entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões em 2025, conforme estimativa da XP.
A redução do apetite e a procura por alimentos em menores porções podem alterar os pedidos de famílias, restaurantes, pequenos mercados e estabelecimentos especializados. Também ganham relevância a qualidade nutricional, os produtos com menor caloria, as proteínas, os alimentos funcionais e as embalagens individuais.
“Quando uma transformação dessa dimensão acontece, ela naturalmente chega ao comércio e influencia a composição da demanda”, afirma Alaor Gomes, presidente do Sindicatacadista-DF. Para ele, o setor precisa identificar quais categorias avançam ou perdem espaço e como as escolhas dos consumidores estão sendo feitas.
Mudança na composição das compras
O impacto não se restringe à venda dos medicamentos. Estudos do setor farmacêutico indicam que, para cada R$ 1 gasto com remédios à base de GLP-1, os clientes desembolsam outros R$ 8,14 em produtos adicionais.
Esse consumo complementar pode modificar a composição dos pedidos feitos ao atacado. Ao mesmo tempo em que itens associados à alimentação saudável podem ganhar participação, categorias ligadas ao consumo impulsivo podem passar por mudanças. A questão, portanto, envolve também a forma, a frequência e o tamanho das compras.
Distribuidores e atacadistas terão de acompanhar a procura por categorias específicas, o tamanho das embalagens e os pedidos realizados por pequenos e médios varejistas. A leitura dessas tendências pode orientar ajustes nos estoques e a ampliação do portfólio.
“O atacado é um elo estratégico entre a indústria e o varejo. Quando o comportamento do consumidor muda, toda a cadeia precisa se adaptar”, diz Gomes. Ele afirma que o momento exige planejamento, análise de mercado e antecipação de tendências, respeitando as regras sanitárias e comerciais.
Com a ampliação do acesso aos medicamentos e o crescimento do número de usuários, os efeitos podem alcançar segmentos que não atuam diretamente na indústria farmacêutica. Para o setor atacadista, acompanhar essas mudanças significa responder às novas demandas e reorganizar suas estratégias comerciais.








