São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Cartão rotativo lidera alta dos atrasos e chega a 66,2% em agosto

Inadimplência das famílias no crédito livre alcançou 8%, maior nível da série histórica do Banco Central, iniciada em março de 2011.

Cartão rotativo lidera alta dos atrasos e chega a 66,2% em agosto

A inadimplência no rotativo do cartão de crédito subiu para 66,2% em agosto, ante 65,5% no mês anterior, segundo dados do Banco Central divulgados nesta terça-feira (29). A alta foi de 0,7 ponto percentual. No cartão de crédito como um todo, que reúne as modalidades rotativa e parcelada, o índice chegou a 10%, aumento de 0,5 ponto percentual em relação a julho.

O rotativo é acionado quando o cliente não paga integralmente a fatura no vencimento. A modalidade tem taxa média de 444,9% ao ano, após avanço de 8,7 pontos percentuais em relação a julho. Desde 2024, a dívida pelo atraso da fatura não pode superar o dobro do valor original, considerando juros e encargos.

Alta em diferentes linhas

A inadimplência das famílias no crédito livre atingiu 8% em agosto. O indicador considera operações cujas condições são pactuadas entre bancos e clientes e corresponde ao maior nível da série histórica do BC, iniciada em março de 2011. Na prática, R$ 8 de cada R$ 100 emprestados estavam atrasados há mais de 90 dias.

O avanço foi de 0,2 ponto percentual no mês e de 1 ponto percentual em 12 meses. No conjunto do crédito com recursos livres, a taxa ficou em 6,6% da carteira. Entre as empresas, alcançou 4,3%, com alta de 0,1 ponto percentual em relação a julho.

Também houve aumento nos atrasos do crédito pessoal consignado, que chegou a 3,8%, e do não consignado, em 11%. Nas operações sem garantias, o índice atingiu 15,6%.

No consignado para trabalhadores do setor privado, a taxa passou de 5,2% em setembro de 2025 para 10,6% em agosto deste ano. O texto do Banco Central relaciona parte desse movimento a uma falha na transferência automática dos descontos em folha quando o trabalhador troca de emprego. O governo anunciou apenas em junho a possibilidade de usar o FGTS como garantia no programa Crédito do Trabalhador.

Juros, contabilidade e renegociação

A taxa média de juros do crédito livre para as famílias chegou a 61,7% ao ano, com aumento de 1,4 ponto percentual em agosto. No cartão parcelado, a taxa subiu 2,8 pontos percentuais e alcançou 192,1% ao ano.

Fernando Rocha, chefe do departamento de Estatísticas do BC, afirmou que os índices atingiram os níveis mais altos da série em diferentes recortes, incluindo o crédito total, o livre, o direcionado e as pessoas físicas.

Segundo o BC, mudanças nas regras contábeis também explicam parte do aumento. As instituições passaram a ter mais flexibilidade para definir quando uma operação será baixada a prejuízo, o que permite manter o crédito no balanço por mais tempo quando há expectativa de recuperação. Estudo do banco estima que esse efeito corresponda a cerca de metade do crescimento registrado.

O endividamento das famílias chegou a 49,9% em julho, alta de 0,2 ponto percentual no mês. O comprometimento da renda ficou em 28,7%, estável em relação a junho.

Como resposta ao aumento dos atrasos, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva lançou uma nova etapa do Desenrola Brasil. A iniciativa prevê até R$ 15 bilhões para a compra de carteiras de dívidas de pessoas físicas com atrasos de 2 anos a 4,5 anos em cartões e crédito pessoal. A meta é renegociar R$ 150 bilhões em dívidas.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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