São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Possível corte dos EUA nas exportações de diesel preocupa importadores brasileiros

Cerca de 80% do diesel importado pelo Brasil em setembro veio dos Estados Unidos, segundo a Abicom.

Possível corte dos EUA nas exportações de diesel preocupa importadores brasileiros

A possibilidade de os Estados Unidos suspenderem temporariamente as exportações de diesel preocupa importadores brasileiros, que dependem do combustível americano para compensar parte do déficit de produção nacional. Em setembro, cerca de 80% das importações brasileiras vieram de refinarias americanas, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).

O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome e já registrou episódios pontuais de desabastecimento. Para Sérgio Araujo, presidente da Abicom, uma proibição americana dificultaria a continuidade das operações dos importadores. A entidade representa dez empresas, cujos principais clientes são distribuidoras regionais de combustíveis.

Declaração de Trump e reação do setor

Donald Trump falou sobre o tema nesta quarta-feira (23), durante um encontro com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski. O presidente americano disse que os Estados Unidos exportam muito diesel e defendeu uma suspensão temporária para tentar reduzir os preços internos. Segundo Trump, a decisão dependeria de estudos sobre os efeitos na produção de gasolina das refinarias americanas.

“Eu já disse que não devemos exportar diesel”, afirmou Trump. Ele também disse já ter defendido a ideia junto à sua equipe.

Executivos de grandes distribuidoras demonstraram preocupação, embora alguns avaliem que a medida pode não ser adotada diante da possibilidade de ações judiciais por empresas exportadoras. Os Estados Unidos se tornaram o principal fornecedor do Brasil depois que a Rússia suspendeu suas exportações em meio a ataques ucranianos contra refinarias. Com a interrupção do fornecimento russo, o mercado brasileiro passou a buscar mais produto nas refinarias americanas.

A possibilidade de corte ocorre em um mercado afetado pelas guerras na Ucrânia e no Irã e antes do período de maior consumo de diesel no Brasil. O combustível é usado no escoamento da produção agrícola e no plantio da próxima safra.

Felipe Perez, especialista em refino da S&P Global, afirmou que há restrição de volumes no mercado internacional. Já Ernesto Pousada, presidente da Vibra Energia, disse não acreditar que a medida seja implementada. Segundo ele, a empresa tem buscado diversificar suas fontes de suprimento caso a suspensão ocorra.

Estoques e custo de importação

Angelica Laureano, diretora de Comercialização, Logística e Mercado da Petrobras, afirmou que a empresa encomendou 650 milhões de litros para outubro, volume suficiente para atender seus contratos. Ela disse que não há preocupação com o suprimento de outubro e que a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) e o Ministério de Minas e Energia (MME) consideram que o mercado estará abastecido no próximo mês.

Fontes do setor avaliam que uma eventual suspensão americana pode ameaçar o abastecimento de novembro. O consumo na Europa tende a crescer, o que aumentaria a disputa pelo produto e os preços.

Na semana passada, a paridade de importação calculada pela ANP chegou perto de R$ 7 por litro em alguns portos, o maior nível registrado. O valor supera os cerca de R$ 3 do início do ano. O governo paga atualmente subsídio de R$ 2,12 por litro.

Na abertura do mercado desta quarta, o diesel vendido nas refinarias da Petrobras custava, em média, R$ 3,44 menos que a paridade de importação calculada pela Abicom. Mesmo com o subsídio, a diferença era de R$ 1,32 por litro.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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