O dólar à vista encerrou a quinta-feira (3) cotado a R$ 5,1045, com baixa de 0,08%, após variar entre R$ 5,0705 e R$ 5,1137. Foi a quarta sessão seguida de queda, em um movimento de acomodação depois da forte recuada da moeda americana desde 28 de Agosto.
A divisa acumulou perda de 1,77% na semana e de 1,46% nos três primeiros pregões de Setembro. Em Agosto, havia avançado 2,16%. O real teve o segundo melhor desempenho entre as moedas de países emergentes no início do mês, atrás apenas do peso Colombiano.
Mercado acompanha cenário eleitoral
A movimentação ocorreu em meio à expectativa pela pesquisa Datafolha, prevista para ser divulgada na noite de quinta-feira. O levantamento poderia confirmar o empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro indicado por pesquisas recentes, entre elas a Pesquisa Futura, divulgada à tarde.
A avaliação mencionada no mercado é que a revelação de uma ligação estreita entre o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, poderia favorecer eleitoralmente Flávio.
Para Nicolas Gomes, analista de câmbio da Manchester Investimentos, a disputa mais acirrada elevou a percepção de possível disciplina fiscal em 2027 e reduziu momentaneamente os prêmios de risco. “O mercado vem precificando um cenário eleitoral mais acirrado”, afirmou.
Cristiano Oliveira, diretor de Pesquisa Macroeconômica do Banco Pine, destacou a retomada do interesse estrangeiro por ações brasileiras nos últimos dias de Agosto, depois de uma saída expressiva ao longo do mês. Segundo ele, houve melhora do humor com o cenário eleitoral doméstico e recuperação do interesse por ativos latino-americanos. Oliveira prevê câmbio médio de R$ 5,11 neste ano e de R$ 5,15 em 2027.
Exterior influencia o câmbio
O índice DXY, que acompanha o dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, ficou abaixo de 99,000 pontos e rondava os 98,960 pontos no fim da tarde, depois de atingir mínima de 98,831 pontos. O iene se valorizou mais de 2%, influenciado pela expectativa de alta de juros pelo Banco do Japão e por rumores de intervenção cambial.
Na véspera da divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, Christopher Waller, diretor do Federal Reserve, reduziu as apostas em aperto monetário em setembro. Ele afirmou que poderia apoiar a manutenção dos juros caso os dados de inflação de Agosto reforçassem sinais recentes de arrefecimento.
O Goldman Sachs avaliou que o Federal Reserve deve permanecer em espera, embora uma alta de juros ainda seja possível se a inflação ao consumidor e ao produtor superar as expectativas. O banco também afirmou que o ambiente global pode continuar favorecendo estratégias de carry trade com moedas emergentes, mas alertou para os efeitos de uma elevação das taxas longas nos Estados Unidos e do aumento dos ruídos domésticos relacionados às eleições.







