A reação dos investidores ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial perdeu intensidade nesta terça-feira (6). Depois de abrir em alta, o Ibovespa passou a cair, enquanto o dólar comercial recuava em relação ao real e também diante de outras moedas.
Às 13h25, a moeda americana era negociada a R$ 4,976, com baixa de 0,51%. O índice DXY, que acompanha o dólar diante de uma cesta de seis moedas fortes, caía 0,28%. No mercado acionário, o Ibovespa recuava 0,58%, aos 205.696 pontos, às 13h26.
O movimento ocorreu após uma sessão de forte valorização. Na segunda-feira (5), o principal índice da Bolsa brasileira subiu 7,70% e encerrou o pregão aos 206.911 pontos, maior nível da história em termos nominais e reais. O dólar terminou aquele dia a R$ 5,001, com queda de 4,11%, o maior recuo intradiário desde 2018, quando havia caído 5,50% em uma única sessão.
Ajuste após a alta
Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, afirmou que a abertura desta terça-feira indica a continuidade da reprecificação dos ativos brasileiros, mas em ritmo menor que o observado na véspera.
“Depois de uma valorização tão forte em um único pregão, é natural haver realização de lucros e volatilidade”, disse Mendes. Para ele, o mercado começa a deixar a reação imediata ao resultado eleitoral e passa a avaliar a composição do Congresso, a sinalização fiscal e as propostas econômicas que surgirem ao longo do segundo turno.
Os juros futuros também refletiam o cenário eleitoral. Às 13h26, a taxa para janeiro de 2028 estava em 12,630%, com alta de 0,03 ponto percentual. A taxa para janeiro de 2035 recuava 0,12 ponto percentual, para 12,665%.
Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, relacionou a continuidade do movimento positivo ao chamado “trade eleitoral”, especialmente no setor financeiro. As ações de petróleo estavam na direção oposta, pressionadas pela queda da commodity. Às 13h27, os papéis da Petrobras caíam 2,33%, a R$ 54,07.
Moliterno também apontou vendas de dólar nas mesas institucionais e entrada de recursos estrangeiros. Na avaliação dele, o fluxo pode continuar e provocar novo reposicionamento nos ativos brasileiros durante o processo eleitoral.
Eleição e cenário externo
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos, à frente de Luiz Inácio Lula da Silva, que obteve 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno, marcado para o próximo dia 25.
A expectativa de alternância de poder e de uma condução fiscal mais sólida reduziu a percepção de risco sobre os ativos brasileiros, segundo a avaliação de investidores apresentada no mercado. William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, afirmou que a leitura predominante considera uma possível mudança para uma política mais à direita, com menor intervenção do Estado na economia, maior participação da iniciativa privada e atenção à questão fiscal.
No exterior, o petróleo recuava 0,55%, a US$ 99, às 13h30, apesar de novos ataques dos houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, contra aeroportos da Arábia Saudita. Na noite de segunda (no Brasil), os aeroportos de Jazan e Najran sofreram bombardeios. A autoridade-geral de Aviação Civil do país informou que três pessoas ficaram feridas, e os houthis reivindicaram a autoria.
O grupo iemenita declarou nesta terça ter assumido o controle total do país, incluindo áreas estratégicas no Mar Vermelho. O governo do Iêmen contestou a afirmação e disse ter retomado parte do território, entre elas o estreito de Bab al-Mandab, ligação entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico. O Qatar afirmou que Estados Unidos e Irã ainda negociam uma forma de encerrar o conflito.
As Bolsas americanas operavam em alta às 13h30: o Dow Jones avançava 0,63%, o S&P 500 subia 0,83% e o Nasdaq ganhava 0,66%. Os rendimentos dos Treasuries recuavam após uma sequência de altas. O título de dez anos estava em 5,323%, com baixa de 0,44%, e o de 30 anos tinha rendimento de 5,680%, recuo de 0,37%.







