SÃO PAULO — O Ibovespa ultrapassou 192 mil pontos nesta sexta-feira, 2, no maior nível desde 17 de abril, impulsionado pelo posicionamento de investidores antes do primeiro turno da eleição presidencial e pelo ambiente externo favorável a ativos de risco. O índice atingiu 192 114,55 pontos, enquanto o dólar à vista terminou a sessão praticamente estável, a R$ 5,2165, com baixa de 0,07%.
O giro financeiro da bolsa foi de R$ 31 bilhões. O Ibovespa acumulou alta de 4,71% na semana e de 19% no ano. Durante o pregão, o índice chegou a subir cerca de 1,8%, zerou os ganhos e entrou no campo negativo antes de retomar a alta à tarde.
Daniel Teles, sócio e especialista da Valor Investimentos, disse que o comportamento refletiu o posicionamento dos investidores diante da eleição. “É um mercado totalmente reativo ao ‘trade’ eleitoral”, afirmou.
Dólar oscila antes da eleição
O dólar chegou a R$ 5,2006 após a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, mas passou a subir ainda pela manhã e alcançou R$ 5,2320 no início da tarde. Operadores atribuíram as oscilações a ajustes de posições. Na semana, a moeda americana acumulou alta de 0,67% ante o real.
O payroll mostrou a criação de 29 mil vagas em setembro, abaixo da mediana de 85 mil. O resultado reforçou as apostas de que o Federal Reserve não elevará a taxa básica de juros neste mês, o que abriu espaço para a recuperação de bolsas e moedas de países emergentes. Mesmo assim, a cautela antes da eleição limitou a valorização do real.
Para Rai Chicoli, estrategista-chefe da Monte Bravo, a falta de força da moeda brasileira está relacionada à postura mais prudente dos investidores antes do primeiro turno. “Quem tinha que se posicionar para o primeiro turno já se posicionou”, disse.
Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira apontou Luiz Inácio Lula da Silva com 42% das intenções de voto no primeiro turno, ante 38% de Flávio Bolsonaro. Na simulação de segundo turno, Lula apareceu com 48%, contra 45% de Flávio Bolsonaro. Os dois cenários foram descritos como empate técnico dentro da margem de erro.
Juros futuros fecham em baixa
As taxas dos contratos de juros futuros passaram de alta para queda durante a tarde. O contrato de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2027 recuou de 13,563% para 13,510%. O DI para janeiro de 2029 caiu de 13,821% para 13,690%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 passou de 14,034% para 13,920%.
Segundo agentes consultados, o movimento refletiu ajustes de posições e a precificação de maiores chances de vitória de Flávio Bolsonaro. A avaliação apresentada foi de que uma vitória da oposição reduziria os prêmios de risco associados ao quadro fiscal.
A Capital Economics afirmou que um desempenho forte de Flávio no domingo poderia impulsionar o real e as ações em 3% ou 4%, tomando como referência as eleições de 2018 e 2022. A Polymarket indicava 55% de chances de vitória para o senador, contra 45% para Lula.
Nos Estados Unidos, o juro da T-Note de 10 anos subia de 5,242% para 5,279% às 18h04. As taxas chegaram a cair após o payroll, mas o movimento perdeu força ao longo do dia.








