Daniella Marques é considerada para comandar uma estrutura social ampliada em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL). A proposta incluiria também a área de mulheres e poderia abranger algumas obras federais, segundo integrantes da campanha do candidato.
A possibilidade afastaria Marques da disputa pelo Ministério da Fazenda. Ela foi porta-voz econômica da campanha, mas, conforme membros da equipe, deixou de conduzir as pautas econômicas no dia a dia. A função passou a ser desempenhada por Adolfo Sachsida, que ocupou a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia e foi ministro de Minas e Energia no governo Jair Bolsonaro.
Marques se aproximou das políticas sociais e da área de mulheres quando presidiu a Caixa Econômica Federal, no último ano da gestão de Jair Bolsonaro. A interlocutores, ela teria dito que assumir a área social seria um caminho positivo e um desafio.
A ex-presidente da Caixa ganhou espaço na campanha depois das críticas feitas por Michelle Bolsonaro ao enteado, em junho deste ano. Ela passou a aparecer com frequência ao lado de Flávio e, nos bastidores, vem buscando nomes, inclusive no meio acadêmico, para participar das discussões sobre a estrutura.
Uma das propostas em estudo é a criação de um fundo com ativos da União. O mecanismo reuniria imóveis públicos, créditos de dívida ativa, empresas estatais, contratos de petróleo que possam ser antecipados e outros recebíveis do governo. A intenção seria reforçar programas sociais, enfrentar o endividamento e promover a inclusão de pessoas de baixa renda.
Marques afirmou que um terço da realização desses ativos poderia ser destinado à ascensão das famílias e citou a existência de “mais de R$ 5 trilhões em ativos”. A ideia se aproxima de uma proposta apresentada anteriormente por Paulo Guedes, chamada Fundo Brasil, que previa usar recursos de privatizações e dividendos de estatais para pagar um dividendo social a beneficiários de programas de transferência de renda e reduzir a dívida pública. O projeto não avançou.
Disputa pela área econômica
A campanha de Flávio tem sido aconselhada a não divulgar antecipadamente os nomes para os ministérios. A avaliação interna é que os indicados poderiam sofrer pressão durante a disputa e que o anúncio provocaria disputas entre aliados interessados no comando da Fazenda.
Também há o receio de que a discussão sobre ministros desvie a atenção da campanha. Um integrante da equipe resumiu a posição dizendo que é preciso “ganhar primeiro as eleições” antes de tratar das indicações.
Entre os nomes mencionados para a Fazenda estão Marcelo Kayath, ex-diretor do Credit Suisse; Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro Nacional e economista-chefe do BTG Pactual; Alexandre Bettamio, do Bank of America; e Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central.
Sachsida é citado no mercado financeiro para o Ministério do Planejamento, embora pessoas próximas a ele afirmem que seu objetivo seria chefiar a Fazenda. A equipe também procura técnicos que participaram do governo Jair Bolsonaro.
A campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu às solicitações sobre os possíveis nomes da área econômica e não informou se Marques assumiria a área social em caso de vitória.







