São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Inflação mantém pressão sobre Fed antes de decisão sobre os juros

Mercados veem alta como provável, enquanto Kevin Warsh enfrenta pressão de Donald Trump e precisa preservar a credibilidade do banco central.

Inflação mantém pressão sobre Fed antes de decisão sobre os juros

A persistência da inflação deve orientar a decisão da Reserva Federal dos Estados Unidos sobre os juros nesta quarta-feira. Os mercados futuros indicam cerca de 90% de probabilidade de uma alta de um quarto de ponto, que levaria a taxa de referência de 3,5%-3,75% para 3,75%-4%.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, assumiu o cargo há menos de quatro meses e tem sido pressionado por sinais opostos. De um lado, os investidores esperam uma elevação dos juros. De outro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defende a redução do custo do crédito ou a manutenção da taxa.

Warsh alertou, no fim de agosto, durante a conferência de Jackson Hole da Fed, que a inflação permanecia acima da meta de 2% do banco central. Os dados mais recentes reforçaram a expectativa de alta. O índice de preços das despesas de consumo pessoal (PCE), medida de inflação preferida pela Fed, avançou 3,7% no ano até julho, acima dos 2,3% registrados em abril de 2025. O índice PCE subjacente chegou a 3,3% em julho, contra 3% antes do início da guerra com o Irã.

A decisão está prevista para as 20:00 (CEST), seguida, meia hora depois, por uma entrevista coletiva de Warsh. Outra ferramenta de acompanhamento do mercado, a FedWatch da CME, atribui 92% de probabilidade a uma alta de um quarto de ponto.

Pressão sobre a credibilidade

A Fed manteve os juros inalterados em julho, apesar da retórica firme sobre a inflação. Depois da reunião, os mercados tiveram pouca clareza sobre a resposta do banco central, e os custos de financiamento de longo prazo aumentaram. A taxa dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em dez anos superou 5% nesta semana.

A taxa média de um financiamento imobiliário de 30 anos, com juros fixos, ficou em 6,76% na semana encerrada em 10 de setembro, segundo a Freddie Mac. As taxas desse tipo de crédito são influenciadas mais diretamente pelos rendimentos dos títulos do Tesouro do que pela taxa de referência da Fed.

Manter os juros inalterados pode alimentar a percepção de que o banco central cedeu à pressão da Casa Branca. Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, resumiu o dilema: “uma subida agora pode baixar as taxas de longo prazo mais tarde”.

Trump criticou repetidamente o antecessor de Warsh, Jerome Powell, por não reduzir os juros com rapidez suficiente. O Departamento de Justiça abriu uma investigação criminal sobre o testemunho de Powell no Congresso, mas o inquérito foi posteriormente arquivado.

Questionado sobre a reação de Trump, o conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou: “não vai ficar propriamente satisfeito, mas irá defender acima de tudo a independência de Kevin Warsh”.

Possibilidade de novas altas

Mesmo que o Fed eleve os juros nesta quarta-feira, ainda não está definido se haverá novas altas. Os investidores esperam três aumentos, em setembro, dezembro e março, mas Jonathan Pingle, economista do UBS, disse que a instituição poderá abandonar esse caminho caso os próximos dados mostrem desaceleração da inflação.

As projeções econômicas trimestrais atualizadas da Fed também serão acompanhadas pelos mercados. Elas indicarão onde cada decisor espera que a taxa de referência esteja no fim deste ano e no próximo.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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