A economia da Itália pode crescer perto de 1% do PIB em 2026, acima dos 0,6% previstos nos documentos programáticos. A avaliação foi apresentada pelo ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, durante a sessão de encerramento do Fórum Teha Cernobbio.
Giorgetti afirmou que o país já assegurou um crescimento de 0,8% e que o resultado poderá se aproximar de 1% caso os indicadores continuem favoráveis. Ainda não se trata de uma nova projeção oficial do governo, mas a estimativa surge antes da preparação da Lei do Orçamento de 2027.
Receitas fiscais avançam
Entre janeiro e julho de 2026, o Estado registrou 346,1 bilhões de euros em receitas tributárias, 9,4 bilhões de euros a mais que no mesmo período de 2025. O aumento foi de 2,8%, segundo o boletim do Departamento de Finanças do Ministério da Economia e das Finanças.
No período, os impostos diretos somaram 200,7 bilhões de euros, alta de 3,2%, enquanto os impostos indiretos chegaram a 145,5 bilhões de euros, avanço de 2,2%. A arrecadação do IRPEF foi de 138,5 bilhões de euros, crescimento de 2,7%, e a do IVA alcançou 100,3 bilhões de euros, alta de 3,8%.
Os impostos especiais sobre produtos energéticos totalizaram 12,7 bilhões de euros entre janeiro e julho, queda de 8,5%. Apenas em julho, foram 2,2 bilhões de euros, redução de 3% em relação a julho de 2025. O resultado foi influenciado por reduções temporárias adotadas para conter o impacto da alta dos preços da energia.
Crescimento não amplia automaticamente o orçamento
Para Pietro Reichlin, economista e professor da universidade LUISS, a previsão próxima de 1% é realista, mas não representa uma virada na economia italiana. Ele afirmou que a Itália continua entre os países de menor crescimento da União Europeia, ao lado da Alemanha e da França, enquanto a Espanha apresenta desempenho superior.
Reichlin relaciona o atraso italiano à baixa produtividade, problema que, segundo ele, se mantém desde o final dos anos 90. O aumento do emprego, favorecido também pelo fluxo de migrantes, não seria suficiente para compensar essa limitação. Sem avanço da produtividade, o economista não prevê crescimento equivalente dos salários e do nível de bem-estar.
As maiores receitas dos primeiros sete meses não podem ser tratadas automaticamente como recursos disponíveis para o Orçamento de 2027. O governo precisará avaliar qual parte do aumento é estrutural e pode financiar medidas nos anos seguintes.
Reichlin prevê uma lei orçamentária prudente, porque as margens são reduzidas. Além da produtividade, o crescimento é limitado pelo envelhecimento da população e pela queda da natalidade. Essa dinâmica aumenta a pressão sobre as finanças públicas por meio do sistema previdenciário e do sistema de saúde.
O economista também considera positiva uma redução da carga tributária sobre o trabalho e as empresas, mas afirma que a medida precisaria ser compensada por outras fontes de receita cuja origem ainda não está clara.







