A União Europeia avalia reforçar a missão naval Aspides no mar Vermelho depois de um pedido da Itália. Em carta datada de 19 de setembro, a Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, solicitou aos governos dos Estados-membros mais navios e aeronaves para proteger o estreito de Bab el-Mandeb, entre o golfo de Áden e o mar Vermelho, diante de ataques lançados a partir do Iêmen.
Kallas afirmou que a operação precisa de meios navais e aéreos com capacidade para garantir proteção de proximidade. Ela também pediu aos países que apresentem possíveis medidas, inclusive sobre a atuação das missões europeias já existentes. “Precisamos de mais meios navais e aéreos, devidamente equipados”, escreveu a representante.
A carta foi enviada após uma solicitação do ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto. O pedido ocorreu depois que a fragata italiana Carlo Bergamini escoltou um navio mercante nacional ao largo da costa do Iêmen. Crosetto criticou a presença de apenas dois navios de guerra europeus na região e disse que a Itália não esperaria pela União Europeia caso fosse necessária uma nova escolta para cargueiros italianos.
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que o país e a Grécia têm assumido grande parte do esforço e defendeu contribuições militares ou financeiras dos demais integrantes do bloco.
Próximas decisões
Os governos europeus poderão discutir o reforço na reunião dos ministros da Defesa da UE em 28 de setembro e no Conselho dos Negócios Estrangeiros em 12 de outubro. Entre as possibilidades está a entrada de outros países na missão Aspides. Unidades da França e dos Países Baixos já atuam na área para proteger navios mercantes nacionais.
A missão foi lançada em fevereiro de 2024 e tem natureza defensiva, mas pode usar a força para proteger embarcações comerciais de ataques dos houthis. Itália e Grécia garantem as três embarcações da operação, com apoio temporário de navios da Alemanha, França, Espanha, Países Baixos e Bélgica. A Grécia mantém o comando da missão, sob liderança do almirante Vasileyos Griparis.
A preocupação europeia envolve o controle, pelos houthis, de trechos da costa do Iêmen e sua influência sobre Bab el-Mandeb, rota comercial entre o oceano Índico e o canal de Suez. Kallas avaliou que a situação já afeta interesses europeus. Analistas citados no debate sobre a missão consideram que navios adicionais podem não ser suficientes e defendem cobertura aérea.
A UE também poderá revisar as regras das missões Aspides e Atalanta. Ativa desde 2008, a Atalanta combate a pirataria no mar Arábico, no golfo de Áden e no mar Vermelho. Seu comando fica na base espanhola de Rota, perto de Cádis.







