Mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro indicam que Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, aconselhava o então dono do Banco Master, revisava documentos e tratava de assuntos ligados às atribuições que exercia no órgão.
A PF afirma que pagamentos a Santana foram disfarçados por contratos de prestação de serviços com uma entidade de fachada. Em outubro de 2024, ele recebeu R$ 760 mil por meio de um acordo que simulava a realização de um estudo sobre a inserção de jovens no mercado financeiro. Planilhas apreendidas também registram repasses de R$ 1 milhão e R$ 750 mil, entre outros valores.
Grupo de mensagens
A relação entre Santana e Vorcaro começou em 2023 e prosseguiu até o fim de 2025. Em abril de 2024, Santana marcou uma reunião presencial com o empresário para tratar de “visão prospectiva e estratégica”. O encontro poderia ocorrer na sede do Banco Central em Brasília ou no Banco Master.
Em 15 de abril de 2025, Santana perguntou se Vorcaro havia enviado uma minuta. O banqueiro respondeu que sim e que estavam ajustando números. Mais tarde, encaminhou um documento chamado “Ofício Banco Master ao diretor de Organização do BC”.
Em outubro de 2025, quando Vorcaro tentava negociar o Banco Master para evitar uma liquidação prevista para o mês seguinte, Santana informou ter criado um grupo para “facilitar nossa interlocução”. Para a PF, as mensagens associadas às chamadas de voz indicavam atuação conjunta na defesa de interesses do banco.
Investigação
Além dos pagamentos, a PF afirma que Santana recebeu benefícios como viagens internacionais custeadas pelo Master. Em setembro do ano passado, ele e a mulher viajaram para Paris com despesas pagas pelo banco, incluindo jantares.
Após o caso se tornar público, Santana foi chamado a prestar esclarecimentos no Banco Central. No início deste ano, afirmou à Procuradoria-Geral do Banco Central que os valores recebidos a partir de 2023 eram referentes à elaboração de projetos sociais e que não sabia que o dinheiro vinha de um banco.
Em março deste ano, a Justiça proibiu Santana de acessar as dependências do Banco Central, manter contato com investigados na Operação Compliance Zero e deixar a comarca onde mora. Também suspendeu sua função pública no órgão e determinou monitoração eletrônica. Procurado por meio de seus advogados, ele não respondeu.








