O bônus de Itaipu, aplicado nas faturas de energia emitidas entre 1º e 31 de agosto, foi o principal fator para a queda do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice recuou 0,32% em agosto de 2026, depois de avançar 0,07% em julho.
A energia elétrica ficou 7,63% mais barata e sozinha retirou 0,33 ponto porcentual do IPCA do mês. Segundo cálculos de um técnico do IBGE, sem esse efeito o índice teria registrado avanço de 0,01%. O resultado da energia foi o maior do Plano Real, de acordo com o instituto.
O grupo Habitação, que inclui a energia elétrica, teve queda de 1,87%, o menor resultado para um mês de agosto desde o início do Plano Real. A redução foi associada ao bônus, um crédito relacionado à conta de comercialização da usina hidrelétrica de Itaipu.
Alimentos e outros grupos
Além de Habitação, houve deflação em Transportes (-0,86%), Alimentação e Bebidas (-0,34%) e Comunicação (-0,09%). O grupo de alimentos, que tem o maior peso no IPCA, contribuiu com -0,07 ponto porcentual para a taxa mensal.
As maiores quedas entre os itens pesquisados foram registradas por batata-inglesa (-19,89%), cenoura (-11,22%), cebola (-11,07%), tomate (-10,94%), ovo de galinha (-4,15%) e café moído (-1,86%). Sem considerar energia elétrica e Alimentação, a taxa teria sido de 0,11%, segundo Fernando Gonçalves, responsável pela pesquisa do IBGE.
A inflação acumulada no ano ficou em 3,11%. Em 12 meses até agosto, o IPCA acumulou 4,22%, abaixo dos 4,44% registrados até julho. Foi o segundo mês consecutivo em que o índice em 12 meses ficou dentro da meta de inflação, conforme o IBGE. Em junho, a taxa havia sido de 4,64%.
A meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e perseguida pelo Banco Central é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,50% a 4,50%.
Resultado veio abaixo das projeções
A queda mensal superou a mediana das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que indicava deflação de 0,29%. As previsões variavam de -0,37% a -0,20%.
Para o acumulado em 12 meses, a mediana projetada era de 4,26%, enquanto as estimativas iam de 4,17% a 4,34%. Gonçalves afirmou que a taxa de agosto foi a menor desde agosto de 2022, quando o IPCA recuou -0,36%.
O alívio proporcionado pelo bônus de Itaipu deve ser temporário e devolvido em setembro, segundo o IBGE. A inflação também pode sofrer pressão de reajustes em água, esgoto e gás encanado, além da continuidade da bandeira tarifária amarela nas contas de luz.
A Capital Economics avaliou que a composição do índice mantém espaço para um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana que vem. A consultoria projeta redução da taxa de 14% para 13,75%, mas prevê uma postura mais cautelosa do Banco Central diante da expectativa de aceleração da inflação.
Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, disse que o resultado reforça um quadro de menor pressão inflacionária, embora o cenário à frente continue desafiador. Entre os pontos de atenção citados por ele estão o câmbio, o petróleo, eventos climáticos, os impactos da reforma tributária e possíveis efeitos do fim da escala 6×1. O Bradesco também afirmou que o IPCA recuou mais do que o esperado e manteve a projeção de inflação de 5% em 2026.








