São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

IPCA recua 0,32% em agosto com desconto na conta de luz

Queda da energia elétrica, influenciada pelo Bônus de Itaipu, levou o índice à maior deflação desde agosto de 2022.

IPCA recua 0,32% em agosto com desconto na conta de luz

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,32% em agosto, depois de subir 0,07% em julho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A deflação foi a mais intensa para o mês desde agosto de 2022, quando o índice recuou 0,36%.

No acumulado do ano, a inflação ficou em 3,11%. Em 12 meses até agosto, o índice acumulou 4,22%, abaixo do teto da meta de 4,5%. Em julho, essa taxa era de 4,44%. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,50% a 4,50%.

“A taxa é a menor desde agosto de 2022, tanto para o mês quanto historicamente”, afirmou Fernando Gonçalves, responsável pela pesquisa do IBGE.

Energia elétrica concentra impacto

A energia elétrica teve queda de 7,63% em agosto, o maior recuo desde o Plano Real. O resultado foi associado ao Bônus de Itaipu, crédito relacionado à conta de comercialização da usina hidrelétrica. Os descontos foram aplicados em faturas emitidas entre 1.º e 31 de agosto.

O item retirou 0,33 ponto porcentual do IPCA. Segundo cálculo do IBGE, sem a energia elétrica, o índice teria subido 0,01% no mês. O grupo Habitação recuou 1,87%, também o menor resultado para um mês de agosto desde o início do Plano Real.

O efeito do desconto é temporário. Para setembro, o IBGE prevê pressão de reajustes em água, esgoto e gás encanado, além da continuidade da bandeira tarifária amarela nas contas de luz.

Transportes, Alimentação e bebidas e Comunicação também tiveram deflação, de 0,86%, 0,34% e 0,09%, respectivamente. Sem considerar energia elétrica e Alimentação, o IPCA teria avançado 0,11%. O grupo Alimentação e bebidas contribuiu com -0,07 ponto porcentual.

As maiores quedas entre os itens foram registradas por batata-inglesa, com -19,89%; cenoura, com -11,22%; cebola, com -11,07%; tomate, com -10,94%; ovo de galinha, com -4,15%; e café moído, com -1,86%.

Perspectiva para a Selic

A Capital Economics avaliou que a deflação mantém aberta a possibilidade de um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A consultoria estima uma redução de 14% para 13,75%, apesar da alta recente do petróleo, acima de US$ 100 o barril.

A avaliação é que a inflação deve voltar a acelerar, levando o Banco Central a adotar cautela e interromper o ciclo em novembro e dezembro. O Bradesco também apontou que o IPCA recuou mais do que o esperado em agosto e manteve a projeção de alta de 5% em 2026, com pressão de alimentos nos próximos meses.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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