PARIS — O presidente da Argentina, Javier Milei, iniciou nesta terça-feira (29) uma visita a Paris, onde permanecerá até o fim da semana. A agenda inclui um fórum de negócios para investidores e uma reunião anunciada como privada com o presidente francês, Emmanuel Macron.
A viagem tem como principal objetivo atrair capital para a economia argentina. A passagem pela França ocorre durante a Argentina Week, evento voltado ao mercado financeiro cuja primeira edição foi realizada em março deste ano, em Nova York, nos Estados Unidos.
O governo Milei tenta apresentar como resultados de sua política econômica a obtenção de superávit fiscal e a redução da inflação. Quando assumiu a Presidência, em 2023, a inflação anual superava 200%. Atualmente, está em torno de 30%. O índice, porém, continua acima dos níveis registrados nas economias mais desenvolvidas, enquanto a política adotada também teve efeitos sobre o crescimento econômico e o emprego.
O lítio está entre os setores de interesse na aproximação com investidores franceses. A Argentina possui reservas do mineral, usado na produção de baterias para veículos elétricos e equipamentos eletrônicos. O país integra, com Chile e Peru, o chamado triângulo do lítio, área que reúne algumas das maiores reservas mundiais do recurso.
A França é o sétimo maior investidor estrangeiro na Argentina, e seus aportes no setor cresceram ao longo do último ano. Outro assunto em negociação é um contrato para a construção de submarinos, disputa que também conta com a participação francesa.
A atuação internacional de Milei mantém alinhamento ideológico com Donald Trump. O argentino critica o que considera declínio da Europa, associado por ele às políticas migratórias e ao excesso de regulamentações da União Europeia. Também reforçou a parceria estratégica com Israel e busca ampliar sua influência regional.
A questão das Ilhas Malvinas é outro tema da viagem. Milei procura recolocar na agenda internacional a reivindicação argentina sobre o arquipélago, administrado pelo Reino Unido. O presidente argentino se mostrou encorajado por sinais de Trump sobre uma possível revisão da neutralidade histórica dos Estados Unidos na disputa entre argentinos e britânicos.
A declaração do presidente americano foi interpretada como sinal de insatisfação de Washington com Londres em razão da política dos Estados Unidos em relação ao Irã. Argentina e Reino Unido entraram em guerra pelas Malvinas em 1982. Desde então, Milei aposta na via diplomática para avançar na reivindicação.







