São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Minha Casa, Minha Vida supera metade dos negócios de imóveis novos

Programa amplia participação no mercado imobiliário, enquanto juros altos reduzem as vendas de imóveis de médio e alto padrão.

Minha Casa, Minha Vida supera metade dos negócios de imóveis novos

O Minha Casa, Minha Vida (MCMV) já responde por mais da metade dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais novos no Brasil. Na cidade de São Paulo, a participação chega a dois terços dos negócios, impulsionada por subsídios, juros menores e mudanças no perfil dos empreendimentos.

O governo federal ampliou o teto de preços e as faixas de renda do programa, criou a faixa 4 e passou a incluir imóveis de até R$ 600 mil para pessoas com renda de até R$ 13 mil por mês. O financiamento no MCMV varia entre 4,5% e 8,16% ao ano, enquanto o crédito fora do programa custa por volta de 12% a 14% ao ano, segundo os dados citados pelo economista-chefe do Secovi, Celso Petrucci.

Estados e prefeituras também oferecem subsídios adicionais. Em São Paulo, os valores ficam entre R$ 10 mil e R$ 16 mil para complementar o pagamento da entrada. Na capital, mudanças na lei de zoneamento permitiram prédios maiores perto de linhas de ônibus, trem e metrô, o que favoreceu a construção de empreendimentos populares.

Para Petrucci, a demanda é formada em grande parte por famílias de baixa renda que vivem em moradias precárias ou comprometem parcela elevada da renda com aluguel. O programa atende principalmente pessoas que ganham até R$ 5 mil e buscam a primeira moradia.

O avanço do MCMV também está relacionado à retração dos imóveis de médio e alto padrão. Alberto Ajzental, coordenador do curso de negócios imobiliários da Fundação Getúlio Vargas, afirma que a classe média enfrenta preços elevados e juros altos no financiamento. Nessa faixa, estão imóveis entre R$ 600 mil e R$ 2,25 milhões.

Com a mudança no mercado, incorporadoras como Trisul, Eztec, Lavvi, Melnick, Moura Dubeux e Tecnisa passaram a atuar no programa. A REM lançará seu primeiro empreendimento econômico, com a marca Vér, no Alto da Lapa. O projeto terá 513 apartamentos. A empresa também planeja um condomínio de 2,5 mil apartamentos no Jaguaré, em um terreno de 7 mil metros quadrados.

A ADN, que atua em 11 municípios do interior, prepara seu primeiro lançamento na capital para 2027. Serão 700 apartamentos na Água Branca. A empresa produz 3 mil unidades por ano no interior e vê São Paulo como uma nova frente de crescimento. O sócio Pedro Donadon aponta a margem de lucro apertada como um dos desafios do programa.

Apesar do aumento dos lançamentos, o estoque do MCMV permanece limitado em relação ao ritmo de vendas. Em São Paulo, são 52,8 mil unidades, alta de 58% em um ano, equivalente a 8 meses de vendas. No Brasil, o estoque é de 137,1 mil unidades, crescimento de 23% em um ano e volume correspondente a 7,6 meses de vendas. Na crise de 2014, o estoque representava mais de 15 a 20 meses de vendas.

Petrucci estima que, se os juros continuarem em dois dígitos, o MCMV poderá chegar a 60% ou 65% das unidades do mercado nacional.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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