SÃO PAULO — O Minha Casa, Minha Vida (MCMV) já responde por mais da metade dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais novos no Brasil. Na cidade de São Paulo, a participação chega a dois terços dos negócios, impulsionada por subsídios, juros menores e mudanças no perfil dos empreendimentos.
O governo federal ampliou o teto de preços e as faixas de renda do programa, criou a faixa 4 e passou a incluir imóveis de até R$ 600 mil para pessoas com renda de até R$ 13 mil por mês. O financiamento no MCMV varia entre 4,5% e 8,16% ao ano, enquanto o crédito fora do programa custa por volta de 12% a 14% ao ano, segundo os dados citados pelo economista-chefe do Secovi, Celso Petrucci.
Estados e prefeituras também oferecem subsídios adicionais. Em São Paulo, os valores ficam entre R$ 10 mil e R$ 16 mil para complementar o pagamento da entrada. Na capital, mudanças na lei de zoneamento permitiram prédios maiores perto de linhas de ônibus, trem e metrô, o que favoreceu a construção de empreendimentos populares.
Para Petrucci, a demanda é formada em grande parte por famílias de baixa renda que vivem em moradias precárias ou comprometem parcela elevada da renda com aluguel. O programa atende principalmente pessoas que ganham até R$ 5 mil e buscam a primeira moradia.
O avanço do MCMV também está relacionado à retração dos imóveis de médio e alto padrão. Alberto Ajzental, coordenador do curso de negócios imobiliários da Fundação Getúlio Vargas, afirma que a classe média enfrenta preços elevados e juros altos no financiamento. Nessa faixa, estão imóveis entre R$ 600 mil e R$ 2,25 milhões.
Com a mudança no mercado, incorporadoras como Trisul, Eztec, Lavvi, Melnick, Moura Dubeux e Tecnisa passaram a atuar no programa. A REM lançará seu primeiro empreendimento econômico, com a marca Vér, no Alto da Lapa. O projeto terá 513 apartamentos. A empresa também planeja um condomínio de 2,5 mil apartamentos no Jaguaré, em um terreno de 7 mil metros quadrados.
A ADN, que atua em 11 municípios do interior, prepara seu primeiro lançamento na capital para 2027. Serão 700 apartamentos na Água Branca. A empresa produz 3 mil unidades por ano no interior e vê São Paulo como uma nova frente de crescimento. O sócio Pedro Donadon aponta a margem de lucro apertada como um dos desafios do programa.
Apesar do aumento dos lançamentos, o estoque do MCMV permanece limitado em relação ao ritmo de vendas. Em São Paulo, são 52,8 mil unidades, alta de 58% em um ano, equivalente a 8 meses de vendas. No Brasil, o estoque é de 137,1 mil unidades, crescimento de 23% em um ano e volume correspondente a 7,6 meses de vendas. Na crise de 2014, o estoque representava mais de 15 a 20 meses de vendas.
Petrucci estima que, se os juros continuarem em dois dígitos, o MCMV poderá chegar a 60% ou 65% das unidades do mercado nacional.








