O petróleo avançou mais de 2% nesta terça-feira (15), depois de o Irã rejeitar novamente a possibilidade de negociar com os Estados Unidos. O barril Brent, referência mundial, alcançou US$ 108,73 (R$ 559,39), com alta de 2,81%, por volta das 11h45, no horário de Brasília.
Na madrugada, o Brent permaneceu em US$ 107. Às 13h20, era negociado a US$ 108,38 (R$ 557,59), avanço de 2,55%. O contrato WTI, usado nos Estados Unidos, estava em US$ 105,32 (R$ 541,85), valorização de 3,88%. Na segunda-feira (14), o Brent havia encerrado o pregão em US$ 106,48.
A reação ocorreu após Mohsen Rezaei, chefe da principal instância de segurança iraniana, afirmar que não haverá retomada das negociações até que as exigências de Teerã sejam aceitas. Em uma publicação na rede social X, antiga Twitter, ele disse: “Não haverá nenhuma negociação enquanto as condições do Irã não forem atendidas. Ponto final!”
Exigências iranianas
O Irã condiciona o fim da guerra à interrupção definitiva do conflito iniciado em 28 de fevereiro e de qualquer agressão contra o país e seus aliados na região, entre eles o Hezbollah, no Líbano. O governo iraniano também exige o fim do bloqueio a seus portos, indenização integral pelos danos provocados pela guerra, encerramento das sanções econômicas e liberação, sem condições, dos ativos congelados no exterior.
A posição iraniana contrasta com a declaração feita por Donald Trump na segunda-feira (14), quando afirmou estar “aberto” ao diálogo com Teerã. Um dia antes, ele havia dito que não haveria negociação com o Irã até o fim das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, previstas para novembro.
Tensão em rotas de petróleo
A falta de avanço em um acordo de paz mantém a tensão regional. Na segunda-feira, os houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, atacaram alvos na Arábia Saudita, incluindo refinarias e oleodutos. O governo saudita declarou que responderá com “firmeza”.
Mohammed bin Salman, príncipe-herdeiro e dirigente de fato da Arábia Saudita, reuniu-se com o almirante Brad Cooper, chefe do Centcom, o Comando Central dos Estados Unidos, para tratar dos acontecimentos recentes na região.
O governo de Omã anunciou o adiamento de uma reunião entre o Irã e países do golfo Pérsico sobre a situação no estreito de Hormuz, cujo tráfego está bloqueado desde o começo do conflito. Dois diplomatas franceses informaram que o Conselho de Segurança da ONU deve se reunir nesta terça-feira para discutir a extensão dos confrontos ao estreito de Bab el-Mandeb, rota entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico usada pela Arábia Saudita para transportar petróleo. Desde a semana passada, embarcações que passam pelo local têm sido atacadas pelos houthis.







