São José dos Campos, Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Economia

Bancos estimam valorização da Bolsa de até 45% após eleição de Flávio Bolsonaro

BTG, UBS, Morgan Stanley e JPMorgan associam possível alta a um ajuste fiscal e à mudança nas expectativas econômicas.

Bancos estimam valorização da Bolsa de até 45% após eleição de Flávio Bolsonaro

Relatórios do BTG Pactual, UBS, Morgan Stanley e JPMorgan projetam valorização das ações brasileiras caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, marcado para o próximo dia 25. As estimativas variam de 11% a 45%, conforme o nível de reprecificação dos ativos e a implementação de medidas de ajuste fiscal.

O BTG Pactual informou, em relatório divulgado nesta segunda (5), que as ações brasileiras são negociadas a cerca de dez vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, sem considerar Petrobras e Vale. O banco avalia que esse múltiplo está abaixo da média histórica. Uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia levar a Bolsa de volta à média dos últimos dez anos, com alta estimada entre 11% e 20%.

Em um cenário mais positivo, com o mercado avançando para um desvio-padrão acima da média histórica, a valorização poderia ficar entre 32% e 45%. Para o BTG, o movimento dependeria da expectativa de medidas mais firmes para enfrentar os desequilíbrios fiscais. Varejo, construtoras de médio e alto padrão e empresas ligadas ao mercado de capitais estariam entre os setores mais beneficiados.

Projeções dos bancos

O UBS estima uma valorização superior a 30% se houver confirmação de um ajuste fiscal. Nesse cenário, as ações brasileiras poderiam chegar a 11,8 vezes o lucro projetado, nível equivalente a um desvio-padrão acima da média histórica. A queda dos juros reais e a melhora das expectativas de lucro poderiam impulsionar o índice nos próximos meses.

O banco também relaciona esse cenário a uma regra de gastos mais rígida, reformas das despesas obrigatórias e uma trajetória de superávit primário considerada confiável pelo mercado.

O Morgan Stanley afirma que, em um cenário otimista, o mercado brasileiro poderia se aproximar de 250 mil pontos no Ibovespa no curto prazo. Isso representaria uma alta de cerca de 30% até o fim do ano, caso permaneça a perspectiva de mudança na política econômica. Para 2027, a instituição projeta dólar a R$ 4,50 em seu cenário otimista.

Já o JPMorgan considera uma expansão de cerca de 20% a 25% no múltiplo preço/lucro projetado do MSCI Brazil. Aproximadamente metade desse movimento poderia ocorrer no curtíssimo prazo, equivalente a uma alta de 10% a 11%. A parcela restante dependeria do resultado da eleição, de maior clareza sobre o plano macroeconômico, da composição ministerial, de avanços na redução dos juros e de um cenário externo relativamente favorável.

Avaliação de analistas

No primeiro turno, realizado no último domingo (4), Flávio Bolsonaro ficou na liderança, com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula. O Ibovespa fechou esta segunda (5) em alta de 7,70%, aos 206.911 pontos, enquanto o dólar caiu 4,11%, para R$ 5,001.

Analistas afirmam que a continuidade da alta dependerá da execução de uma agenda de ajuste fiscal, independentemente do vencedor. Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, disse que os ativos locais podem subir mais se houver compromisso com uma política fiscal responsável e condições para uma queda sustentável dos juros.

Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, avaliou que uma alta de 30% para o Ibovespa até o fim do ano é possível, mas deve ser analisada com cautela diante das limitações para executar medidas em 2027. Daniel Teles, da Valor Investimentos, afirmou que parte do movimento reflete a euforia dos investidores e parte está relacionada ao nível considerado barato da Bolsa brasileira.

Ricardo Salim, analista da Lumi Research, apontou como principal risco uma frustração com a trajetória fiscal. Ricardo Farias, gestor de multimercado e renda fixa do Fator, afirmou que a sustentação da alta dependerá da apresentação dos planos de governo e da definição dos nomes para os ministérios, especialmente nas áreas econômicas e na Casa Civil.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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